Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Vazamento de foto da prova em redes sociais não causou dano ao Enem, diz ministro da Educação

Fotos do caderno de questões começaram a circular em grupos de Whatsapp minutos depois do início do exame; Weintraub afirma que candidatos responsáveis serão punidos

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2019 | 20h50
Atualizado 11 de novembro de 2019 | 11h05

BRASÍLIA - Pela segunda vez na mesma edição, o Exame Nacional do Ensino do Médio (Enem) registrou casos de vazamento após o início da prova. Na tarde de domingo, 10, após o começo das provas de Matemática e Ciências da Natureza, passaram a circular em grupos de Whatsapp fotos das questões. Em entrevista coletiva no começo da noite, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, minimizou o vazamento e afirmou que a divulgação da prova em redes sociais antes do término da aplicação não causou danos. Os responsáveis, declarou, serão punidos. 

De acordo com o ministro, os responsáveis pela divulgação neste segundo dia foram candidatos. Pelas regras, os alunos não podem usar celular na prova. Os aparelhos são guardados em envelopes lacrados e têm que ficar desligados. Segundo Weintraub, houve registro de boletins de ocorrências para notificar o vazamento. “O dano disso foi zero”, afirmou. “Isso é um trouxa. É um babaca”, classificou o ministro, em referência a quem vazou a prova. “Tem que punir essas pessoas de forma exemplar para saber que uma ação danosa para prejudicar o coletivo não sai impune.”

O ministro ainda afirmou que os responsáveis vão ter que explicar o caso “pelo resto da vida” e negou que tenha sido um “vazamento” porque ele não teria acontecido dentro da estrutura do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), organizador do exame. “Vai ser preso? Não. A gente não consegue nem prender ladrão contumaz, manter preso um ladrão contumaz. Não vou polemizar”, comentou o ministro, sem citar nenhum nome específico.

No primeiro dia do Enem, domingo, 3, minutos após o início da prova, circulava nas redes sociais a imagem da página com a proposta da Redação, que abordou a democratização do acesso ao cinema. Logo após o vazamento, Weintraub afirmou que o vazamento teria partido de um aplicador e que iria “escangalhar ao máximo a vida dele”. Após o vazamento, o Inep proibiu os aplicadores das provas do Enem de entrar com celulares nas salas onde seria realizada a prova.

No sábado, a Polícia Federal fez uma operação em Fortaleza e apreendeu celulares nas casas de duas aplicadoras suspeitas de fraude durante a aplicação da primeira fase. Ao comentar o vazamento da prova no domingo anterior, dia 3, o ministro classificou como “terrorismo” de “militantes” o comportamento das duas aplicadoras acusadas de vazarem o conteúdo. Weintraub comentou que uma delas “talvez seja inocente” e que outra é “culpada”. “O que ela tentou fazer foi terrorismo. Isso se chama terrorismo, colocar terror na sociedade civil”, comentou.

Weintraub apontou para uma estrutura maior que teria planejado o vazamento. “Pessoas adultas recebendo para fazer a prova planejaram essa ação. Não foi piada, gracinha, foi sabotagem, foi para causar mal-estar da sociedade”, comentou, respondendo mais tarde que cabe à polícia esclarecer as informações.

Especialistas ouvidos pelo Estado avaliaram que o vazamento que ocorreu no Enem 2019 não prejudica a prova. “É quase impossível se conseguir zero de problema numa prova deste tamanho. Agora, vazamentos que comprometam a prova são casos diferentes e tem que ser tratado de outra forma, mas isso não tem acontecido nos últimos anos”, disse um especialista que não quis se identificar.

Para Zacarias Gama, professor de educação da UERJ, o Enem vem sendo aplicado com muito segurança nos últimos anos, e casos pontuais não podem colocar em dúvida a avaliação “A gente sabe que está no Brasil e há sempre riscos”, pontuou.

Os especialistas disseram que há pontos que podem ser melhorados no esquema de segurança, e a capacitação dos aplicadores é uma delas. “Eles são fundamentais para a segurança das provas e investir em mecanismos que possam protegem a prova é essencial”. Outra opção seria estender os detectores de metais para todos os locais de provas.

Números do exame

O Inep divulgou que dos 5.095.388 inscritos, 3.709.809 fizeram a prova no segundo dia de aplicação, ou seja, um índice de 72,81% de presença e de 27,1% de ausência. Na semana passada, primeiro dia do teste, o porcentual de ausentes foi de 23,1%.

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De acordo com o ministro da Educação e o presidente do Inep, Alexandre Lopes, essa foi a menor abstenção para o segundo dia de prova da história do Enem. “Tivemos o melhor Enem de todos os tempos”, disse Weintraub, que ainda destacou que não houve “ideologia” na prova.

Entre os candidatos, 371 foram eliminados. De acordo com o Inep, os principais motivos foram por portar equipamento eletrônico, ausentar-se antes do horário permitido, utilizar materiais impressos, não atender às orientações dos fiscais, entre outras. /COLABOROU SANDY NASCIMENTO, ESPECIAL PARA O ESTADO

Correção 

Veja a correção do segundo dia de provas do Enem realizada por professores do Objetivo:

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