Tiago Queiroz/ Estadão
Tiago Queiroz/ Estadão

MEC anuncia Enem em 17 e 24 de janeiro de 2021

Exame foi adiado em função da pandemia do coronavírus; governo prevê gasto adicional de R$ 70 milhões

Júlia Marques e Renata Cafardo, O Estado de S. Paulo

08 de julho de 2020 | 17h16
Atualizado 11 de julho de 2020 | 18h46

SÃO PAULO - O Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) anunciaram nesta quarta-feira, 8, que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será aplicado nos dias 17 e 24 de janeiro de 2021. Mais de 5,8 milhões de estudantes estão inscritos para o exame, que terá custo adicional de R$ 70 milhões por causa de medidas sanitárias decorrentes da pandemia do coronavírus

Em coletiva de imprensa na tarde desta quarta, o ministro interino da Educação, Antônio Vogel, disse que a nova data da prova não é uma decisão “perfeita e maravilhosa para todos” os candidatos. “Buscamos uma solução técnica”, completou. A versão digital da prova, que ocorre pela primeira vez no País, será nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro. E os resultados serão divulgados no dia 29 de março

A prova, inicialmente prevista para novembro deste ano, foi adiada por causa da pandemia do coronavírus. Escolas de todo o País tiveram atividades presenciais suspensas para evitar a propagação do vírus. 

O MEC também informou nesta quarta a possibilidade de que seja realizado mais um Sisu, sistema que reúne vagas no ensino superior público, em 2021. Se isso ocorrer, serão três seleções no ano que vem. “Há toda uma reação em cadeia quando se define a data do Enem. Essa nota do Enem serve de critério primeiro para entrar em uma universidade pública, pelo Sisu. Se não entrar, tem a possibilidade de conseguir bolsa pelo ProUni. E, se não conseguir, pode ter o Fies”, disse Vogel.

“Se deixasse para maio, os ingressos (no ensino superior) seriam só no segundo semestre. Perderíamos o semestre inteiro. Por isso estamos com a opção aberta, e vamos avaliar junto com instituições de ensino superior, de fazer outro Sisu ao longo de 2021”, disse Vogel. 

O Estadão antecipou, na manhã de desta quarta, que o Enem seria realizado em janeiro. A aplicação da prova no mês de janeiro foi defendida por secretários de educação e universidades em reuniões com o governo. Em enquete realizada a pedido do ex-ministro Abraham Weintraub, a maior parte dos estudantes (49,7%) votou para que o Enem fosse realizado apenas em maio. Outros 35,3% optaram por janeiro. Mas, depois que Weintraub foi demitido, a direção do Inep não se comprometeu em seguir o resultado da pesquisa e anunciou que ouviria representantes dos Estados e do ensino superior para tomar uma decisão. 

Segundo fontes que estavam presentes às reuniões feitas com o Inep, maio foi considerado um mês inviável pela maioria, pelo que causaria ao calendário do ensino superior. Universidades particulares também não queriam um Enem tão tarde porque os estudantes esperam o resultado da prova e do Sisu para ver se conseguiram vaga em instituições públicas e só depois partem para uma particular. O exame em maio prejudicaria mais ainda um mercado já fragilizado, com perda de estudantes e alta inadimplência.

Alexandre Lopes, presidente do Inep, disse que a enquete com os estudantes não foi o único parâmetro para definição da data. “Entendemos que seria importante ouvir secretários estaduais de Educação e instituições de ensino superior públicas e privadas. Todas as informações foram levadas em consideração. Mais da metade optou por (fazer a prova em) dezembro e janeiro. Também estamos atendendo a esse público.”

Segundo o governo, o nível da prova não será modificado em função das dificuldades de ensino durante a pandemia, já que os itens que compõem o teste foram elaborados antes da covid. O governo também informou que prevê gasto extra de R$ 70 milhões com a aplicação neste ano em função da pandemia – no ano passado, o exame custou R$ 537 milhões. A covid-19 deve obrigar que a aplicação ocorra com menos estudantes em sala para evitar contaminação, o que pode elevar o número de locais de prova. Também deverão ser fornecidos álcool em gel e máscaras. 

O MEC ainda anunciou que a reaplicação da prova impressa, que ocorre quando há falhas como falta de luz no local do exame, será nos dias 24 de fevereiro e 25 de fevereiro de 2021.

Mudança no Enem pode afetar vestibulares

As alterações nas datas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) devem embaralhar o calendário de vestibulares das universidades estaduais paulistas. USP, Unesp e Unicamp selecionam parte dos estudantes por meio da nota obtida no exame, mas a divulgação de resultados do Enem só no fim de março pode comprometer a seleção por meio da prova nacional.

Por meio de nota, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) disse ser fundamental que a prova seja “tecnicamente exitosa e com concorrência democrática”. Segundo a associação, a data anterior não apresentava condições necessárias, como segurança de alunos e profissionais e equidade entre os candidatos.

Também por meio de nota, entidades estudantis criticaram a escolha de data diferente do que a enquete realizada com os candidatos indicou. "A data escolhida pelos poucos estudantes que conseguiram votar não foi levada em conta. A escolha feita pelo Ministério da Educação, de realizar a prova nos dias 17 e 24 de janeiro, demonstra que não existe um diálogo verdadeiramente democrático com os estudantes, profissionais da educação e saúde", informaram a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e a Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG).

 

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