Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Data do Enem sai hoje; prova deve ficar para janeiro

A opção de fazer a prova em dezembro também foi descartada nas reuniões porque os secretários de Educação querem mais tempo de aula para preparar os estudantes para o Exame

Renata Cafardo, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2020 | 08h00
Atualizado 08 de julho de 2020 | 13h31

SÃO PAULO - A data do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será divulgada nesta quarta-feira, 8, pelo Instituto Nacional de Estudo e Pesquisas Educacionais (Inep). Segundo o Estadão apurou, a prova deve ficar para janeiro de 2021. O mês foi defendido por secretários de educação e universidades em reuniões com o governo. A direção do Inep deve acatar a sugestão. 

A prova, que seria em novembro, foi adiada pelo Ministério da Educação (MEC) por causa da pandemia do coronavírus. Mais de 5,8 milhões de estudantes estão inscritos. Em enquete realizada a pedido do ex-ministro Abraham Weintraub, a maior parte dos estudantes (49,7%) votou para que o Enem fosse apenas em maio do ano que vem. Outros 35,3% optaram por janeiro. 

No entanto, depois que Weintraub foi demitido, a direção do Inep não se comprometeu em seguir o resultado da pesquisa e anunciou que ouviria representantes dos Estados e do ensino superior para tomar uma decisão. Segundo fontes que estavam presentes às reuniões feitas com o Inep, maio também foi considerado um mês inviável pela maioria do grupo, pelo que causaria ao calendário do ensino superior. O presidente do Inep, Alexandre Lopes, já declarou também que a data faria com que os estudantes e as universidades perdessem um semestre de ensino superior.

Isso porque, depois do Enem, da correção e da divulgação dos resultados, o que leva praticamente dois meses, é preciso ainda que as notas sejam colocadas no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o sistema online do MEC que seleciona estudantes para as vagas nas universidades públicas. A nota da prova também é necessária para se concorrer à bolsa no ProUni e para o Fies, o financiamento estudantil, ambos programas federais.

As universidades particulares também não querem um Enem tão tarde porque os estudantes esperam o resultado da prova e do Sisu para ver se conseguiram vaga em instituições públicas e só depois partir para uma privada. O exame em maio prejudicaria mais ainda um mercado já fragilizado, com perda de estudantes e alta inadimplência por causa da pandemia.

Confirmando a informação dada pelo Estadão nesta quarta-feira cedo, o Inep avisou a imprensa no fim da manhã que dará uma coletiva às 17 horas para divulgar a data do Enem deste ano. Devem participar o ministro interino da Educação, Antônio Vogel, e o presidente do Inep. Antes dela, Vogel terá uma reunião como presidente Jair Bolsonaro.

"80% dos estudantes que participaram da enquete pediram para fazer a prova em 2021. Eles tinham duas opções: janeiro e maio. Com base nessa opção, vamos conversar, mas a data pode ser diferente da data da enquete", afirmou Lopes ao divulgar o resultado da enquete, na semana passada.

A opção de fazer a prova em dezembro também foi descartada nas reuniões porque os secretários de Educação querem mais tempo de aula para preparar os estudantes para o Enem. As escolas, de forma presencial, devem retornar apenas em setembro no Estado de São Paulo. A intenção é que se aproveite 2020 até o fim, com aulas até perto do Natal. Portanto, o Enem ficaria para janeiro ou, no máximo, para início de fevereiro. 

Independentemente da pandemia, o Enem 2020 também está travado pela Justiça. Uma liminar impediu que o contrato com a gráfica que vai imprimir a prova seja assinado porque requisitos de segurança não teriam sido comprovados pela vencedora do pregão, a Plural, que ofereceu o menor preço. O pedido foi feito pela segunda colocada, a Valid SA.

Técnicos do Inep ouvidos pelo Estadão em condição de anonimato afirmaram que não houve rigor na comprovação das exigência de segurança. Entre as razões, há desde acusação de conluio com a Plural até necessidade de fazer um Enem mais barato por causa da redução orçamentária.

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