PABLO COSTA/ICM2018
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Iraniano ganhador da Medalha Fields passou a infância em região de guerra

O curdo-iraniano graduou-se em Matemática pela Universidade de Teerã e em 2000 se mudou para o Reino Unido, onde apresentou pedido de refúgio

Roberta Jansen e Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

02 Agosto 2018 | 03h00

Ganhador da Medalha Fields, o ‘Nobel’ da Matemática, o iraniano Caucher Birkar nasceu na cidade curda de Marivan, no Irã. Passou a infância em meio à guerra entre seu país e o Iraque, conflito que devastou a região onde morava. Apesar disso, incentivado pelo irmão mais velho, ele passou a se interessar por números e fórmulas matemáticas.

“Meus pais eram agricultores, então eu passava muito tempo trabalhando no campo. Não era o melhor lugar para uma criança se interessar por algo como matemática”, afirmou ele, em entrevista à imprensa internacional, meses atrás.

O curdo-iraniano graduou-se em Matemática pela Universidade de Teerã e em 2000 se mudou para o Reino Unido, onde apresentou pedido de refúgio. Um ano depois, obteve o status de refugiado. O Curdistão se estende por regiões de Irã, Iraque, Síria e Turquia e não tem sua reivindicação de independência considerada. Os curdos são minorias nesses países.

Birkar tornou-se então cidadão britânico e começou seu doutorado na Universidade de Nottingham. Um dos professores que supervisionaram o doutorado de Birkar, Ivan Fesenko, disse que o refugiado excedeu todas as expectativas. “Dei-lhe um problema e, se ele resolvesse, isso seria o seu doutoramento. Habitualmente a resolução demora três ou quatro anos. Birkar resolveu em três meses”, contou, também em entrevista à imprensa internacional. Especializado em geometria birracional, o matemático hoje é professor na Universidade de Cambridge, na Inglaterra.

Mais premiados. Além de Birkar, foram agraciados o indiano Akshay Venkatesh, de 36 anos, o italiano Alessio Figalli, de 34 anos, e o alemão Peter Scholze, de 30 anos. Além da medalha, cada um recebeu 15 mil dólares canadenses (cerca de R$ 43 mil). 

Um comitê secreto composto por 12 matemáticos de renome escolhe os premiados. Só o presidente desse comitê tem o nome divulgado. A escolha dos vencedores é um processo que se estende por aproximadamente dois anos.

Entre os 60 premiados com a medalha Fields na história, há um único brasileiro: o carioca Artur Avila Cordeiro de Melo, que tem 39 anos e foi premiado durante a edição anterior do congresso, na Coreia do Sul, em 2014, quando tinha 35 anos. 

A entrega dos prêmios foi feita pelo ministro da Educação, Rossieli Soares da Silva, durante a cerimônia de abertura do congresso. O encontro reúne 2,5 mil matemáticos de todo o mundo e se estende até o dia 9, oferecendo cerca de 1,2 mil palestras.

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