Rodrigo Bartz
Rodrigo Bartz

'Entrei em pânico, comecei a chorar', diz aluna barrada no Enem por superlotação de sala

Anna Carolina Lau e grupo de outros 30 alunos foram à polícia para relatar situação

Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2021 | 18h47

No primeiro domingo do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), dezenas de estudantes foram barrados quando já estavam em seus locais de prova por superlotação das salas. Como o Estadão revelou, o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep) alocou mais pessoas nas salas do que a capacidade máxima de 50% prometida pelo órgão. Com isso, em alguns lugares, aplicadores não permitiram que os estudantes entrassem quando os espaços atingiam o limite de 50%.

Os alunos só foram avisados quando já estavam na escola e depois de tentar entrar na classe. Anna Carolina Lau, de 19 anos, conta que procurou a sala de prova às 12h30, meia hora antes do fechamento dos portões, mas foi avisada de que já não poderia mais entrar porque a sala atingiu o limite de ocupação.

"(Os aplicadores) falaram que até ontem (sábado) à noite estavam contando que seria 80% de ocupação e receberam ontem (sábado) à noite do Inep que seria 50%, por isso não conseguimos entrar", conta a aluna, de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul. Ela e um grupo de 30 candidatos foram à polícia para registrar o problema. "Entrei em pânico, comecei a chorar."

Leia abaixo do depoimento da estudante: 

Saí de casa ao meio-dia, cheguei ao local de prova (a Universidade de Santa Cruz do Sul) e, por volta de 12h30, entrei na sala. Quando cheguei lá, tinha uma menina na minha frente, ela entrou. Na minha vez, a pessoa que estava cuidando (da aplicação) falou: 'Tu não vai poder entrar porque lotou, vai ter de ligar no 0800, falar com o Inep e pedir para fazer em outro dia. Hoje não vai dar'. Entrei em pânico, comecei a chorar.  

Quando saí na rua, tinha um monte de estudante chorando, apavorado. Eu também estava muito mal e ninguém estava entendendo nada do que estava acontecendo. Depois eu fui à polícia com todas as pessoas que não conseguiram fazer a prova também para pelo menos ter a prova de que fomos barrados, não faltamos, não chegamos atrasados.

Acredito que, na minha sala, respeitaram os 50% de ocupação, mas o problema é que lotou esses 50% e não tinha outra sala para a gente. Eles não se prepararam. (Os aplicadores) falaram que até ontem (sábado) à noite estavam contando que seria 80% de ocupação e receberam ontem à noite do Inep que seria 50% de ocupação, por isso não conseguimos entrar.

Me preparei para a prova, acordei às 7 horas da manhã porque estava nervosa, e recebi a notícia de que meu ano inteiro até agora não está valendo para nada. Não tenho garantia nenhuma de que vou conseguir refazer essa prova.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.