Educação a distância é estratégia e não improviso, diz Unesp

Sem recursos para contratar professores, instituição sugeriu aulas semipresenciais na reestruturação de licenciaturas

O Estado de S. Paulo

07 Outubro 2014 | 17h59

SÃO PAULO - O incentivo às aulas semipresenciais na Universidade Estadual Paulista (Unesp) não é improviso para a crise financeira, mas parte da política estratégica da instituição, defende a pró-reitoria de graduação. Como o Estado mostrou nesta terça-feira, 7, a Unesp propôs a oferta de conteúdos a distância nas licenciaturas, já que as restrições orçamentárias impedem a contratação de professores.

O pró-reitor de Graduação Laurence Colvara, em entrevista ao Estado, garantiu que a universidade tem larga experiência com aulas semipresenciais. Ele também disse que a modalidade está sendo reforçada em vários cursos, com acompanhamento do núcleo especializado em educação a distância da Unesp.

A ideia do ofício é fazer a reestruturação sem aumentar o impacto sobre a folha de pagamento? Quais são os outros aspectos envolvidos?

Fundamentalmente, sim. Mas é preciso ter um olhar mais abrangente. Na semana anterior, já havia enviado uma instrução para toda a universidade sobre a possibilidade de se adotar a modalidade semipresencial nos cursos de graduação. A legislação federal prevê que até 20% do curso pode ser nessa modalidade.

2014 é o ano da Graduação Inovadora pela universidade. Esse processo se iniciou com estudos em 2013 e a aplicação da metodologia semipresencial está dentro de um eixo maior. Pode dar a impressão que nós inventamos isso de afogadilho, mas não é uma solução de improviso.

O trabalho da Graduação Inovadora tem vários outros aspectos. Neste ano também estamos apoiando 14 projetos de inovação de ensino e visitas de docentes a instituições internacionais para conhecer metodologias inovadoras. Ainda vamos dar dois cursos de formação pedagógica para nossos docentes sobre ambientes virtuais de aprendizagem e produção de material didático para a educação a distância.

Há um horizonte de quanto pode haver de educação a distância nos cursos da Unesp?

A universidade se pauta sempre pela liberdade. Os professores têm liberdade para definir os projetos. A pró-reitoria não exerce ação impositiva e não há uma meta. Fica a critério dos conselhos dos cursos. Já oferecemos cursos de Libras e de redação na modalidade semipresencial. Nossa avaliação é de que tiveram bom desempenho.Também já definimos a oferta de um curso semipresencial de Pedagogia aos professores da rede municipal de São Paulo no ano que vem.

Para os críticos, um dos principais problemas da recomendação da pró-reitoria é que as aulas a distância seriam dadas nos casos em que não houvesse professor que domine aquele conteúdo específico. Isso será um problema? Como o senhor avalia esses comentários?

A metodologia da educação a distância pressupõe a participação ativa de um professor formador. Também tutores online e presenciais nos pólos. O curso não é ministrado, de forma alguma, se não tiver todo esse pessoal, além da infraestrutura. Teremos isso. Para cada disciplina, teremos um professor formador, que eventualmente pode ser do nosso quadro. Se não tivermos, poderemos fazer a contratação de um docente para atender amplamente a universidade. Esses recursos serão proporcionados pela reitoria. E também há participação efetiva do núcleo de educação a distância da Unesp, que detém o conhecimento e a estrutura para a produção do material didático. Não é improviso ou precarização.

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