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Em crise, Unesp apela para aulas online

Aula semipresencial é alternativa para suspensão de contratação de docentes; professores temem queda de qualidade, reitoria nega

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Victor Vieira,
O Estado de S. Paulo

07 Outubro 2014 | 03h00

Sem dinheiro para contratar mais professores, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) tem incentivado aulas a distância para suprir a demanda de novos conteúdos em seus cursos de licenciatura. Professores temem queda de qualidade, mas a reitoria garante manter a excelência no modo semipresencial. Em crise, a Unesp gasta quase 95% da sua receita com a folha de pagamento.

Na semana passada, a reitoria enviou ofício a dirigentes de unidade sobre a reestruturação das 48 licenciaturas da Unesp. Segundo norma aprovada pelo Conselho Estadual de Educação (CEE) em 2012 e ajustada neste ano, os cursos de Pedagogia e licenciaturas, que formam professores para o ensino básico, devem ser reformulados.

A regra do conselho prevê várias mudanças: a principal delas é reservar 30% da carga horária para atividades didático-pedagógicas, de caráter mais prático. A proposta é tornar a formação menos teórica. Entre 2012 e este ano, as três universidades estaduais tentaram derrubar a norma, mas não tiveram êxito.

A reitoria orienta a não elevar a carga horária e aproveitar a equipe atual de docentes para os novos conteúdos. “A ampliação do quadro de professores está vetada”, reforça o ofício.

Nos casos em que não houver profissionais com formação necessária para dar conteúdos específicos, são recomendadas disciplinas semipresenciais. Pela lei nacional, 20% do curso pode ser nessa modalidade. Outras graduações da Unesp não receberam essa orientação. Não há levantamento sobre a demanda total de professores.

Necessidade. O pró-reitor de Graduação, Laurence Colvara, diz que toda reformulação segue a regra do conselho. A decisão de não aumentar a carga horária, segundo ele, é para manter a atratividade das carreiras.

Colvara ainda garante a qualidade do conteúdo semipresencial. “Há, nesta mesma universidade, expertise e larga experiência nesta modalidade”, defende. A Unesp, em parceria com outra instituição, já ofereceu um curso de Pedagogia inteiramente semipresencial, além de outras disciplinas no formato.

Essa também é uma saída para aproveitar docentes de outros câmpus. Como a Unesp está espalhada por 24 municípios, o formato semipresencial facilita que um professor ajude na licenciatura de outra unidade. 

Maria Valéria Barbosa, da Associação de Docentes da Unesp, acredita que a medida vá piorar as licenciaturas. “Isso não é proposto a outros cursos considerados mais importantes”, reclama. “É preciso contratar mais professores.”

Guiomar Namo de Mello, do CEE, diz que as instituições têm autonomia para organizar os cursos, se respeitarem as regras. “Semipresencial com qualidade não é simples. Mas, se bem feito, é econômico e otimiza o tempo dos professores.”

USP voltou atrás. A crise também fez a Universidade de São Paulo (USP) suspender as contratações de professores e funcionários. No fim do ano passado, 537 vagas docentes haviam sido liberadas. Parte foi congelada em fevereiro pelo novo reitor, Marco Antonio Zago. 

Para melhorar a distribuição de serviços entre os técnico-administrativos, cerca de 2 mil funcionários devem ser realocados dos órgãos da administração central para as faculdades. Com a redistribuição dos serviços, a expectativa da reitoria é de que professores tenham mais tempo para se dedicar ao ensino e à pesquisa. 

Já a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) informou que as contratações continuam normalmente e já foram atribuídas 56 vagas. Desde agosto de 2013, diz a reitoria, a reposição dos aposentados é automática. USP e Unicamp não detalharam o atual estágio de revisão de suas licenciaturas.

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