Saulo Tomé/Divulgação
Saulo Tomé/Divulgação

Economia criativa cresce acima da média no Brasil

Áreas ligadas à internet puxam esse dinamismo; não há consenso sobre que segmentos são parte do setor; confusão afeta cursos sobre o tema

Tulio Kruse, especial para O Estado de S. Paulo

10 Julho 2018 | 03h00

O Brasil é considerado um dos maiores mercados para a economia criativa entre os países emergentes. Serviços ligados à internet – como jogos eletrônicos, vídeos sob demanda e publicidade online, por exemplo – estão entre os segmentos que mais crescem no Brasil. Os números podem explicar também o surgimento de cursos no ensino superior focados na área audiovisual e na economia criativa. 

Os dados mais recentes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apontam que, em 2015, o setor cultural movimentou R$ 155 bilhões no País, ou 2,64% do Produto Interno Bruto (PIB). Cerca de 850 mil profissionais trabalham na área, segundo o banco.

Economia criativa motiva debates e ganha espaço no ensino superior

Para os próximos anos, a estimativa é de crescimento acima da média mundial até 2021 – de 4,6%, enquanto a expectativa para o mundo é de crescer 4,2%, segundo estudo da consultoria PwC. A pesquisa leva em conta segmentos como mídia e entretenimento, listando desde atividades tradicionais (televisão, cinema e música), até as consideradas de última geração, como os jogos eletrônicos e o grafite. 

O setor viveu uma década de ouro recentemente, com quase o dobro de crescimento em comparação com o resto da economia brasileira. Segundo uma pesquisa da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) de 2014, o avanço da economia criativa chegou a 69,8% entre 2003 e 2013, acima dos 36,4% de crescimento do PIB nacional no mesmo período. Não há dados mais recentes, mas especialistas dizem que essa tendência de expansão se mantém.

Critérios. Não há consenso sobre que segmentos fazem parte da economia criativa. É comum que cada governo e instituição que estuda o tema inclua atividades diferentes dentro desse guarda-chuva. 

O governo federal, que criou uma secretaria no Ministério da Cultura em 2010 para criar políticas públicas especificamente sobre esse assunto, considera 20 setores diferentes, que vão da produção de games à gastronomia. Em outros países, esse assunto é responsabilidade de pastas como Desenvolvimento ou Turismo.

Esse debate também se reflete nos cursos que tratam do tema. Há aqueles que abordam a economia criativa de forma mais abrangente e aqueles que focam apenas na produção audiovisual, por exemplo.

“Temos uma grande confusão nos cursos entre esses conceitos”, diz a coordenadora do Programa de Educação Continuada da Fundação Getulio Vargas (FGV) em Economia Criativa, Ana Carla Fonseca.

Segundo ela, há até mesmo turmas que mudam de nome, e incluem o termo na nomenclatura, mas alteram pouco o conteúdo apresentado. “Há uma fragilidade, talvez com a maior das boas vontades, de muitos dos cursos oferecidos, falando quase como sinônimo entre uma visão mais ampla da economia e indústrias criativas específicas.” 

SERVIÇO

Economia Criativa e Cidades Criativas (FGV)

Carga horária: 48 horas-aula 

Tipo: Educação Continuada (PEC) 

Custo: Não divulgado 

Site: pec.fgv.br

Gestão da Economia Criativa (ESPM)

Carga horária: 495 horas

Tipo: Mestrado profissional 

Custo: A partir de R$ 72.359,29 

Site: espm.br

Produção e Negócios Audiovisuais (Faap)

Carga horária: 432 horas-aula

Tipo: Pós-graduação 

Custo: A partir de R$ 23.850 

Site: pos.faap.br

Mídia e Tecnologia (Unesp)

Carga horária: Não divulgado  (duração de dois anos)

Tipo: Mestrado profissional 

Custo: Gratuito 

Site: faac.unesp.br

Cinema e Audiovisual (ESPM)

Carga horária: Não divulgado  (oito semestres) 

Tipo: Graduação 

Custo: Não divulgado 

Site: espm.br

Mais conteúdo sobre:
videogame publicidade

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.