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88,2% dos aprovados em Medicina na Unicamp são da escola pública

Curso mais concorrido da universidade foi o que teve maior proporção de aprovados neste ano vindos da escola pública

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Isabela Palhares,
O Estado de S. Paulo

12 Fevereiro 2016 | 16h19

SÃO PAULO - O curso mais concorrido da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi o que teve a maior proporção de alunos aprovados que fizeram todo o ensino médio em escola pública. O resultado foi divulgado nesta sexta-feira, 12, e indicou que, dos 110 selecionados na primeira chamada para Medicina, 97 - ou 88,2% - são oriundos da escola pública. A Unicamp não adota cotas, mas um sistema de bonificação e, pela primeira vez, os aprovados que estudaram em escola pública superaram os de escolas particulares.

De acordo com a Unicamp, 51,9% dos estudantes aprovados para as 3.320 vagas disponíveis em 70 cursos de graduação vieram da escola pública. E, desses, 43% são autodeclarados pretos, pardos ou indígenas (PPI). Com esses números, a Unicamp antecipou em um ano o alcance da meta que havia estipulado em 2003, de ter metade dos aprovados vindos de escola pública e 35% de PPIs.

A lista de aprovados foi divulgada nesta sexta-feira; veja.

Além de Medicina, os outros quatro cursos mais concorridos da universidade também atingiram a meta. Apenas Arquitetura e Urbanismo e Ciências Biológicas não alcançaram o objetivo do PPI, com 27% e 33,3%, respectivamente. “O dia de hoje é uma data histórica, um marco para a Unicamp, um marco para as ações de inclusão das universidades públicas”, disse o reitor, José Tadeu Jorge. Ele ainda classificou o resultado como um sucesso do Programa de Ações Afirmativas e Inclusão Social (PAAIS), que funciona com um sistema de bonificação para esses dois grupos.

As metas foram alcançadas após mudanças promovidas em 2015 pela universidade. Na disputa do ano passado, os resultados de inclusão foram os piores em cinco anos, com a proporção de oriundos de escolas públicas de apenas 30,2% e 15,7%, de PPIs. Em 2014, a taxa havia sido de 36,9% e 18%, respectivamente. 

À época, a avaliação interna da Unicamp foi a de que seriam necessárias políticas mais agressivas para atingir o objetivo de inclusão. Até 2015, os candidatos tinham direito ao bônus somente na segunda fase do vestibular. Para este ano, os pontos extras passaram a ser acrescidos às notas tanto da primeira como da segunda etapa.

De acordo com o reitor, o programa de bonificação aumenta a oportunidade de inclusão dos estudantes, mas garante que a universidade ainda continue selecionando os melhores. “Esse é um mérito do PAAIS. É uma inclusão com base na qualidade demonstrada pelos candidatos no vestibular. Não correremos riscos de que os estudantes não consigam, depois, acompanhar o conteúdo dos cursos que vão fazer.”

Equilíbrio. Renato Pedrosa, do Departamento de Política Científica e Tecnológica da Unicamp e ex-coordenador do vestibular da universidade na época da criação do sistema de bonificação, disse que a projeção inicial da política era equilibrar a demanda de alunos de escola pública com a aprovação.

Por isso, ele acredita que os resultados podem indicar que a mudança foi agressiva demais, já que em alguns cursos, como Medicina e Arquitetura, supera até mesmo a proporção de alunos de escola pública em São Paulo, que em média é de 85% no ensino médio. “Não que esses alunos de escola pública não estejam preparados, porque ainda assim a concorrência é acirrada. Mas é preciso analisar que alunos bem qualificados de escolas particulares podem ter sido prejudicados”, ressaltou. “A política de bonificação busca equalizar oportunidades, mas não pode causar um desequilíbrio e excluir um grupo bem preparado”, acrescentou.

Para Pedrosa, o número de alunos aprovados de escola pública tende a aumentar nas próximas chamadas da Unicamp, que segue até março, totalizando nove listas. 

USP e Unesp não  alcançam mesmo patamar de inclusão

Mesmo com a pressão do governo estadual para que as universidades paulistas reforcem ações para a inclusão de alunos da rede pública, apenas a Unicamp havia estabelecido ter 50% de seus aprovados provenientes da escola pública até 2017. A USP e a Unesp calculam atingir esse patamar apenas em 2018. Os dados de aprovação do vestibular deste ano ainda não foram divulgados pelas instituições.

A Unesp é a única estadual que adota cotas sociais e raciais. Há cerca de dois anos, a universidade havia colocado a meta de 50% de alunos de escola pública para 2016, mas depois ampliou o prazo para 2018, de forma progressivas a cada ano. Em 2016, a meta estabelecida é de 35%.

Embora a USP tenha reforçado sua política de bônus no vestibular nos últimos anos, a Fuvest ainda tem dificuldades de atrair alunos da escola pública. Nesta edição, 32,7% dos candidatos vieram da rede pública. 

Também em 2016 a USP adotou pela primeira vez as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para selecionar alunos para 1.489 vagas de 140 cursos. Mas, como as notas mínimas exigidas eram muito altas, 154 vagas, de 18 cursos, não foram preenchidas. A USP adotou o Enem reservando em, alguns casos, porcentuais para alunos de escolas públicas e candidatos pretos, pardos e indígenas. Das 18 opções de cursos com sobras de vagas, 14 eram voltadas exclusivamente para ações afirmativas. 

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