Vou x Não vou

Estudantes contam motivos para prestar (ou não) os vestibulares de inverno

Cristiane Nascimento, especial para o Estadão.edu,

29 Maio 2012 | 03h08

 

Não são poucas as universidades, sobretudo particulares, que oferecem vagas para diversos cursos no meio do ano. Conhecidos como vestibulares de inverno, esses processos seletivos dão aos estudantes uma chance a mais de entrar na faculdade ainda neste ano e dar adeus ao cursinho.

 

Enquanto uns enxergam esta oportunidade como uma forma rápida de dar início à vida acadêmica, outros preferem manter-se focados nas provas tradicionais oferecidas no fim do ano. Há ainda aqueles que já iniciaram uma faculdade e que perceberam que o curso não era exatamente aquilo que imaginavam. E diante da possibilidade de antecipar o início de uma nova fase, não hesitam.

 

É o caso de Beatriz Zaupa, de 18 anos. A jovem saiu do ensino médio direto para as aulas de Engenharia da FEI. Passados alguns meses, sentiu que não era a aluna ideal para o curso. "Não gostei das matérias e a carga horária era muito puxada", lembra.

 

Desde então, a estudante começou a frequentar o cursinho CPV. No próximo mês, Beatriz vai prestar Publicidade e Propaganda em algumas faculdades particulares, entre elas a ESPM e a PUC-SP. "Não vejo motivos para não participar dos vestibulares de inverno, já que as faculdades que quero oferecem essa chance."

 

Felipe Azevedo, de 19, tem avô e pai engenheiros. Ele se formou em 2010 e achava que a engenharia também seria seu destino. Prestou Poli, mas logo desistiu. "Descobri que o curso não tinha o meu perfil e que estava ali por influência da família", diz.

 

Felipe agora se prepara, no cursinho Objetivo, para disputar uma vaga em Administração na FGV e no Mackenzie. Ele acredita que sua experiência, aliada à menor concorrência, típica dos vestibulares de meio de ano, serão definitivas para o resultado final. "Como este é o segundo ano em que faço a prova da GV, tenho o conteúdo mais bem absorvido."

 

Não vou

 

 

Hoje Marcelo Motoki, de 20, sabe exatamente o que quer. Nem sempre foi assim. Depois de ter passado pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco e pelo curso de Engenharia Química da Poli, o estudante pretende agora disputar uma vaga em Medicina na Fuvest e na Unifesp - ele quer continuar morando em São Paulo.

 

Em 2010 Marcelo ingressou na Sanfran e, já no fim do 1.º ano, concluiu que o curso não atendia aos seus anseios. "Me sentia um verdadeiro peixe fora d’água", afirma. "Ao mesmo tempo em que via meus colegas envolvidos com a área jurídica, sentia cada vez menos interesse pelas matérias."

 

Desistiu de Direito e foi para um cursinho. No último vestibular, passou para Medicina na Unesp e em Engenharia Química na Poli. Frequentou as aulas na USP por apenas dois dias, e desistiu de novo. Mudou-se para Botucatu, no interior paulista, para estudar na Unesp. Duas semanas depois estava de volta à capital. "A consciência pesou, porque havia ficado em 25.º na lista de espera da Fuvest", lembra. Depois de pensar bastante, Marcelo decidiu passar mais uma temporada no cursinho Objetivo e esperar pelos exames de fim de ano.

 

O estudante do Anglo Fabrício Fachini, de 18, também pretende manter-se afastado dos vestibulares de inverno. O principal motivo para isso é a pouca oferta de cursos de Medicina oferecidos por instituições públicas durante os meses de junho e julho.

 

Seu maior receio seria passar em uma faculdade privada agora e não se matricular por preferir uma universidade pública. Mesmo decidido, Fabrício sabe da possibilidade de isso acontecer e de, no fim do ano, não ser aprovado em vestibular algum. "Me arrependeria pelo resto da minha vida", brinca. A reprovação, por outro lado, lhe serviria como fator de desestímulo. "Prefiro não arriscar."

 

O jovem está focado nos vestibulares de verão. Pelo seus planos, fará os exames das federais do Sul, as públicas de São Paulo e algumas particulares, como a Faculdade de Medicina do ABC (FMABC) e a Unicid.

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