Volta às aulas fashion week

Trânsito parado no primeiro dia de volta às aulas já virou rotina em São Paulo. Os jovens, porém, ligaram pouco para os 95 quilômetros de congetionamentos - o maior do ano no período da manhã. Estavam mais interessados em desfilar as modas e novos visuais que adquiriram no verão. Na saída do Colégio Mackenzie, em Santa Cecília, os alunos de ensino fundamental e médio colocavam a conversa em dia. "Você não era assim no ano passado", disse Daniel Dias ao colega Gustavo Bruno, ambos de 16 anos e estudantes do 2º ano do ensino médio. "Tem de ter estilo, cara. Depois que fiquei assim comecei a ganhar as meninas", retrucou Gustavo. "Sem estilo, você acaba sendo só mais um na sociedade." O uniforme até parecia coadjuvante para ele, que estava de bandana vermelha no cabelo, colarzinhos de madeira e de metal no pescoço, pulseirinhas de coco e de miçanga - em ambas as mãos - e papete no pé. Suas amigas dizem que quer "pagar de gatinho". No entanto, Gustavo, que visitou Salvador e Florianópolis durante as férias, não era o único a exibir acessórios. "O pessoal voltou na moda praia", avalia. Faixa no cabelo, pulseiras e anéis de coco também fazem a cabeça de Marília Maganeti Lazarini, de 16 anos. "Uso porque curto. Não pertenço a nenhuma tribo", garante. Já seu namorado, Renan Ribeiro, de 15 anos, prefere os colares de metal - usa três, um comprado na Itália no ano passado. Enquanto Marília despedia-se dos colegas e do namorado no pátio da escola, a assistente social Mara Dal Pozzo Lazarini, aguardava na porta - aborrecida - com a greve de ônibus. "Atrapalhou a minha vida e, se continuar amanhã, vai atrapalhar a da minha faxineira", reclamou. No Colégio Objetivo, da Avenida Teodoro Sampaio, zona oeste, garotos de 5ª a 8ª série também voltaram às aulas, mas o ´desfile´ foi mais colorido. Pamela Santana Monteiro, de 11 anos, acaba de entrar na 6ª série e fez questão de usar seus quatro chaveiros de pelúcia - cada um de uma cor - pendurados na mochila. "Outras meninas também têm", alerta. "Está usando bastante", explica sua colega de sala Rafaela Trombini, que, apesar de querer estudar farmácia, considera a chance de ser estilista. Rafaela conta, ainda, que os colares de bolinhas de metal - com pingentes de ideogramas chineses - estão na moda. O de Pamela significa paz e amor. Ambas passaram as férias na praia e também aderiram aos brincos, pulseiras e colares de coco. Em média, esses acessórios custam de R$ 3,00 a R$ 8,00 em barraquinhas de rua e em lojinhas da Rua 25 de Março.

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