Divulgação/Meu Caminho
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Volta às aulas em Manaus tem máscaras, barreira acrílica e rodízio de alunos

Amazonas é o primeiro estado no Brasil a autorizar a volta das aulas presenciais, segundo a Federação Nacional de Escolas Particulares (Fenep)

Thaise Rocha, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2020 | 17h33

MANAUS - Instituições de ensino privado retomaram às atividades em Manaus, conforme o quarto ciclo do plano de reabertura gradual das atividades estabelecido pelo governo do Amazonas. O estado foi o primeiro do Brasil a autorizar a volta das aulas presenciais, segundo a Federação Nacional de Escolas Particulares (Fenep), que foram interrompidas em 17 de março, um dia após a confirmação do primeiro caso de coronavírus no Amazonas.

As atividades ficaram suspensas por três meses e meio e retornaram no último dia 6 de julho, seguindo as recomendações da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM) como: evitar aglomeração, contato físico e/ou compartilhamento de materiais entre os estudantes, aula limitada a 50% da capacidade de lotação e distanciamento mínimo de 1,5 metro entre as cadeiras ocupadas.  

De acordo com a presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Privado do Estado do Amazonas (Sinepe-AM), Elaine Saldanha, 70% das instituições de ensino na capital, do infantil ao médio, retornaram com as atividades presenciais fazendo rodízio entre as turmas, além das mudanças de horário de entrada e saída, e intervalos. 

"Todas as escolas receberam orientações do Sinepe baseadas nas recomendações da FVS como medidas sanitárias para o cumprimento do retorno às aulas com segurança. Itens que são fundamentais: uso de máscara por todos os alunos e professores da instituição e visitantes, aferição da temperatura ao entrar nas instituições tanto de colaboradores, professores, alunos e visitantes. Evitar aglomerações e maior distribuição de pias (em diversos pontos das escolas)", reforçou.

Do total de 87 mil estudantes em Manaus, 60 mil retornaram às aulas presenciais, diz Elaine. Cerca de 27 mil não voltaram para as salas, devido a insegurança dos pais dos alunos. 

"(Nós sabemos) que alguns pais ainda preferem manter o filho em casa e as escolas estão organizadas para esse atendimento remoto das famílias que ainda necessitem ou por questão de comorbidade ou por questão de segurança", explicou. Elaine destaca, que além do medo, o cancelamento de contratos também contribuiu para a ausência dos alunos, sendo 84% dos cancelamentos somente na Educação Infantil. 

A diretora do Centro de Educação Meu Caminho, Laura Cristina, afirmou que os pais foram essenciais nessa nova realidade em que os alunos não teriam mais as mesmas interações. O local atende crianças de seis meses aos 10 anos. Uma reunião prévia foi realizada com os responsáveis para que os mesmo orientassem as crianças. Além disso, todas as medidas alinhadas com a Vigilância Sanitária e o governo estão sendo cumpridas pela unidade. 

"Estamos evitando a aglomeração na escola, mapeamos as áreas de convívio, instalamos barreiras acrílicas. Os alunos (também) ganharam kits de higiene pessoal contendo máscaras, e foi feito a sinalização no piso. Outras associadas contrataram monitores para ficar um em cada andar e técnicos de saúde para ter um melhor suporte no caso dos sintomas. Até o momento, está tudo tranquilo". 

Como em outras unidades, alguns estudantes permanecem em casa devido o receio dos responsáveis. "Em todas as turmas eu tenho alunos em suas residências. Eu tenho pai com perfil de insegurança ou que convive com gente de risco, estamos dando todo suporte", disse a diretora. 

A advogada Thaise Abreu, mãe da aluna Raissa, de 11 anos, e Rafael, de seis, teve que conciliar o trabalho virtual com a educação dos filhos. Os três meses de ensino à distância foram um desafio.

"Eu, mãe solteira, advogada e influenciadora digital precisei continuar fazendo meu trabalho ainda que online. Então foi uma das minhas maiores dificuldades ter que estudar com eles para provas, ensiná-los todos os dias. Praticamente o que os professores fazem nós é que estávamos fazendo, foi um grande desafio", disse. 

Para ela, o momento é favorável para o retorno presencial em sala de aula, uma vez que a rede estadual de saúde não está mais colapsada e as mortes por coronavírus tiveram redução drástica. "O que está me trazendo confiança são as normas estabelecidas sendo respeitadas pela escola. Eu pergunto aos meus filhos quando chegam em casa. Não tem mais abraço, não tem mais ficar perto, a alimentação é feita numa área aberta, com higienizador de pés nos tapetes. Inclusive a escola disponibilizou mais de 10 monitores mostrando como é a nova realidade para crianças. Mas a escola ofereceu a continuidade das aulas online, eu optei (presencial) porque realmente preciso trabalhar, sou pai e mãe, solteira, é uma necessidade muito grande pra mim. Estou bem confiante que vai dar tudo certo", declarou afirmando que os filhos também quiserem voltar à escola. 

AULAS SUSPENSAS

O Amazonas possui 88.025 casos confirmados, desses 31.306 são em Manaus (35,56%) e 56.719 no interior (64,44%), segundo o boletim divulgado pela FSV-AM da última quinta-feira. A presidente do Sinepe-AM, Elaine Saldanha, destacou que o retorno presencial das aulas ficará condicionado a três indicadores básicos que foram os mesmos feitos em Manaus: número de leitos vagos em UTIs, mortes diárias seja estabilidade ou queda no número, e número de pessoas infectadas por ida. 

"Tendo esses indicadores com dados positivos, as prefeituras poderão retornar às aulas no interior. Sabemos que um município já está funcionando porque temos escolas que são sindicalizadas, pelo menos no município de Manacapuru, que já retornou suas aulas nas escolas privadas."

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