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Vocação para o serviço público leva brasileiros à Espanha

Curso espanhol capacita jovens latino-americanos interessados em gestão pública

Juliana Deodoro, especial para o Estadão.edu,

30 Março 2012 | 18h33

Aos 23 anos, Guilherme Doín já fez intercâmbio na França, passou um mês no Haiti como voluntário e trabalhou em uma ONG de direito internacional na Costa Rica. Ele sonha em ser diplomata ou advogar na Corte Interamericana de Direitos Humanos.

 

Para Guilherme, a única forma de se realizar profissionalmente é no serviço público, que acredita ser sua vocação. Ao lado de outros 120 jovens de toda a América Latina, ele faz parte da Primeira Rede Internacional de Gestores Públicos criada pela Fundação Botín.

 

Segundo o diretor geral da fundação, Iñigo De Miera, a rede é o resultado mais importante do programa desenvolvido pela Botín com apoio da universidade americana Brown. “Imagine o potencial de uma rede composta por centenas de jovens que querem ajudar a sociedade”, diz.

 

Pelo terceiro ano consecutivo, o programa vai levar à Espanha 40 estudantes com aptidão para trabalhar em instituições públicas. “A sociedade cresce com instituições competentes. A melhor maneira de desenvolver regiões é instruir jovens que tenham vocação para trabalhar nestes lugares”, completa De Miera.

 

A Botín está selecionando os jovens que farão parte do curso intensivo em 2012. As inscrições estão abertas até o dia 4 de maio e o resultado da seleção será divulgado no dia 14 de junho. Para se inscrever, os interessados devem entrar no site www.fundacionbotin.org.

 

Curso intensivo. Nos três meses de capacitação, alunos selecionados em universidades de nove países latino-americanos têm aulas de direito, economia, política, liderança e gestão. Também fazem parte da programação várias dinâmicas e o desenvolvimento de um projeto voltado para a região de onde eles vêm.

 

“Aprendi muitas coisas das quais não fazia ideia”, conta o biólogo Eduardo Galeskas, integrante da primeira turma de bolsistas, criada em 2010. “Tudo o que me ensinaram no programa aplico no projeto social de que participo na minha cidade, Bauru (SP).” Inspirado no Doutores da Alegria, o projeto presta assistência a crianças atendidas no Hospital Estadual de Bauru.

 

A mineira Thaís Souza, de 24 anos, também acredita no poder da rede composta pelos estudantes. Até hoje, dois anos depois de participar do programa da Fundação Botín, a agora advogada mantém contato e colabora em iniciativas de outros jovens que fizeram o programa. Thaís desenvolve um projeto que lida com os direitos humanos das mulheres afetadas pela mineração. “Tenho interesse de usar meu conhecimento para ajudar grupos vulnerabilizados, seja em atividades próprias ou dentro do poder público”, afirma.

 

Iñigo De Miera conta que o projeto final é apenas uma desculpa para fazer com que os estudantes trabalhem juntos e se conheçam melhor. Segundo ele, a sintonia aparece de forma natural, a medida em que veem no outro coisas comuns. Guilherme Doín concorda: “A gente acaba se sentindo mais latino-americano.”

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