Vídeos podem ajudar a identificar pistas do vazamento

A primeira hipótese a ser investigada pela Polícia Federal (PF), com base nos elementos preliminares levantados pelo MEC, é que o vazamento da prova do Enem tenha ocorrido entre a etapa de impressão das provas, na gráfica Plural, em São Paulo, e a distribuição dos kits por todo o País. A PF não descarta nenhuma pista e vai começar a investigação pelo rastreamento de cada etapa do Enem, desde a confecção das provas, o que inclui tomar depoimento de servidores em Brasília ligados ao programa, até a distribuição dos exames, aplicados em mais de 10 mil pontos espalhados por 1.828 municípios.   Veja também:  Prova vaza e MEC decide cancelar o Enem  Na web, alunos lamentam e festejam cancelamento do Enem  TV Estadão: Ministro da Educação fala sobre vazamento    Segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad, os primeiros elementos de prova podem estar nas fitas de vídeo que monitoram 24 horas tanto a gráfica, em São Paulo, como a sala de segurança do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), em Brasília, onde está guardado o material digitalizado com os exames do Enem. O diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, disse ao ministro Haddad que o superintendente da PF em São Paulo, Leandro Coimbra, vai indicar o delegado responsável pelo inquérito o mais rápido possível.   Mas já está definido que a investigação ficará a cargo da polícia Fazendária. Ao todo, existem 40 funcionários da Diretoria de Logística do Enem, vinculados ao Inep, que em tese tiveram algum tipo de contato com a confecção das provas. Eles serão ouvidos nos próximos dias. Mas a chave para a solução mais rápida do caso está no depoimento dos dois personagens que tentaram vender a prova vazada ao Estado. Haddad fez um apelo para que o jornal e a população ajudem as autoridades a localizar os suspeitos.    Na gráfica Plural, pelo menos 20 funcionários tiveram algum tipo de contato direto com o material e também devem ser intimados a depor. O problema maior, porém, está na ponta de distribuição, porque são milhares de motoristas e operários que participam do processo, o que inclui embalagem do material, carregamento nos caminhões de entrega e a distribuição propriamente dita. A estimativa é que cerca de 400 mil pessoas estejam envolvidas em todo o processo.   O presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, acredita que, no momento do vazamento da prova, mais de 90% dos kits de provas já haviam sido entregues nos locais ou estavam a caminho do destino final. O último lote que faltava ser despachado era destinado às penitenciárias, para os detentos inscritos no exame. Para Fernandes, o vazamento é ruim para a imagem do exame, mas não resta alternativa a não ser corrigir as falhas. "Não existe um processo totalmente seguro, infalível", afirmou. "O que a gente faz é olhar, ficar atento o tempo inteiro para reduzir os pontos vulneráveis."    Segundo o dirigente do Inep, o pior caminho seria aguardar o fim da investigação para aplicar a nova prova. "O Inep e o MEC têm que tomar as decisões já e marcar a nova prova o mais rápido possível, pois são 4 milhões de alunos esperando em várias universidades por esse exame", afirmou Reynaldo Fernandes. Na avaliação dele, são remotas as possibilidades de alguém do MEC estar envolvido no vazamento. "Ninguém aqui viu a prova, até porque no Inep não existe a versão impressa, e o exemplar que vazou certamente passou por uma gráfica".

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