Veterinária: novas descobertas ampliam mercado de trabalho

Embora odeie cachorro, tenha medo de gato e ache ruim cheiro de boi, o veterinário Rodrigo Teixeira, de 35 anos, é um apaixonado pela profissão. Ele trabalha no Zoológico de São Paulo e lida com animais selvagens há 12 anos. Também interessada nos bichos, a estudante do Colégio Augusto Laranja Maria Beatriz Gualberto, de 17 anos, se prepara para encarar o vestibular no final do ano e disputar uma vaga em medicina veterinária. Para tirar as dúvidas da estudante sobre a profissão, a Agência Estado promoveu o encontro entre ela e o veterinário. A propósito, apesar de pouca gente saber, hoje é comemorado o Dia do Médico Veterinário. Maria Beatriz - Como você decidiu ser médico veterinário? Desde os 15 anos eu já sabia que era isso que queria. No entanto eu odeio cachorro, tenho medo de gato e acho boi fedido. Sempre quis lidar com animais selvagens. Como está o campo de trabalho? O Brasil é o terceiro maior país em biodiversidade. Tem muito campo de trabalho. Estão descobrindo espécies novas de macacos na Amazônia em pleno século 21. Deve ter muito mais bicho para descobrir debaixo daquela mata. Tem como veterinário não trabalhar diretamente com animal? Claro. Tem laboratórios para animais, onde atuam de cinco a dez médicos veterinários que não têm contato com o animal. Eles recebem apenas o material biológico, como sangue, urina e biópsia, que vem para análise. Outra possibilidade é trabalhar dentro do laboratório de empresas de chocolate, onde a função é analisar o ph do leite. Como o estudante pode delimitar até onde vai a biologia, a veterinária ou a zootecnia para que fique mais fácil decidir? O zootecnista trabalha com produção de animal, inseminação artificial, nutrição animal. Ele é um técnico em animal. O biólogo estuda a biologia do animal, comportamento, alimentação e hábitos do animal. Já o veterinário atua de uma maneira direta com os animais. Você está satisfeito como veterinário? Profissionalmente eu sou o cara mais realizado dessa instituição e dessa cidade. Que dicas você daria para alguém que vai prestar veterinária? Estudar bastante. Enquanto o médico estuda várias doenças e fatores em uma espécie, o veterinário tem que estudar as mesmas patologias e diversos fatores em várias espécies diferentes. É preciso conhecer intimamente a fisiologia dos grupos de animais, já que de todos é inviável. Tem quatro mil animais e 364 espécies diferentes dentro do zoológico. Aqui eu preciso saber zoologia, biologia, neonatologia, pediatria, bioquímica e todas as áreas da medicina veterinária multiplicada por 364 espécies diferentes. É complicado, mas esse é o gostoso da profissão. O meu conselho é estudar bastante, sem se tornar neurótico e aproveitar a graduação para fazer estágio. Se estudar muito, fizer bastante estágios e for persistente, terá grande sucesso na sua vida depois de se formar. O que você diria para quem está em dúvida se quer fazer veterinária? O conselho que eu digo é que vá experimentar. Vá até uma clínica veterinária e passe o dia lá observando, vendo como é a prática e conversando com profissionais da área. Quando a pessoa está em dúvida, é melhor ir conhecer de perto para resolver. Eliminando o que a pessoa realmente não gosta e não tem afinidade, já ajuda a decidir.

Agencia Estado,

12 de setembro de 2002 | 20h36

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