MARCIO FERNANDES/ESTADAO
MARCIO FERNANDES/ESTADAO

Vestibular do meio do ano pode ser um atalho para mudar de rota

Estudantes de graduação que querem trocar de curso sem ter de esperar até o fim do ano aproveitam as vagas de inverno

Julia Marques, O Estado de S. Paulo

17 Maio 2016 | 03h00

Eduarda Tavares está de volta ao cursinho, mas não pretende ficar por muito tempo. De olho em uma vaga de Engenharia, a estudante, de 18 anos, quer aproveitar as oportunidades do vestibular de meio de ano para retornar à sala de aula de uma universidade - desta vez na carreira que pretende seguir. 

Assim como Eduarda, que desistiu do curso de Química na Oswaldo Cruz, e tenta em junho o vestibular para Engenharia de Produção na Universidade Mackenzie, não são poucos os candidatos que veem nos exames de inverno um atalho para mudar de rota sem ter de esperar até o fim do ano. 

Alunos que já começaram a fazer uma graduação, mas não se adaptaram ao curso ou à faculdade, voltam às cadeiras do cursinho atrás das vagas oferecidas nos próximos meses. “Às vezes a gente escolhe o curso pelo que gosta de estudar, mas não se imagina trabalhando na área. Percebi que o laboratório não era o que eu queria.”

“Já sei o que quero e ficar protelando não tem motivo”, diz Eduarda, que fez um semestre na Oswaldo Cruz, mas, ao conversar com colegas e professores, percebeu que o curso não era sua praia. A decisão de mudar de área e voltar a se preparar para o vestibular foi pactuada com a família. “Eles perguntaram se eu realmente queria desistir. Agora, me pediram para ter certeza do curso.”

Antes de voltar ao cursinho, é preciso descobrir se a mudança é mesmo o melhor caminho, dizem especialistas. “O aluno deve fazer uma análise crítica e ver se a faculdade está ruim ou se foi só um semestre. Também não pode ficar pensando que poderia estar na faculdade que largou”, explica Luís Gustavo Megiolaro, coordenador pedagógico do Poliedro em Campinas. 

Com menos cursos oferecidos no meio do ano, é importante que o candidato que está de olho no atalho do vestibular de inverno tenha certeza de que as opções se encaixam de fato em seus planos profissionais. “Alguns acabam entrando no meio do ano e ficam em dúvida (sobre a carreira escolhida). Isso pode criar uma angústia.”

Para os que vão tentar uma vaga no meio do ano, mas ainda buscam a aprovação na Universidade de São Paulo (USP) ou querem fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) - ambos no fim do ano -, a dica é não apostar todas as fichas nos testes de inverno para evitar falta de fôlego depois. “O candidato não pode perder de vista a preparação a longo prazo”, defende Marcelo Dias Carvalho, coordenador geral do Grupo Etapa. 

Estudo. Nos exames de inverno, o desafio é dar conta do mesmo volume de matérias cobradas no fim do ano, mas com menos tempo de preparação. “A orientação é que o candidato reserve um tempo para resolver provas antigas”, explica Madson Molina, coordenador de unidade no Anglo Vestibulares. 

A experiência anterior de aprovação pode ajudar o candidato a se sentir mais autoconfiante, mas não significa que o resultado positivo está garantido. “Se a mudança de curso ocorre de um ano para o outro, o aluno ainda tem na memória muito do que aprendeu e o sucesso que conseguiu. Isso diminui a ansiedade e ele consegue lidar melhor com a pressão”, defende Carvalho. “Em alguns casos, as matérias que aprendem no ensino superior os tornam mais maduros”. 

DEPOIMENTO

André Lucas Ramalho, de 19 anos

"Passei em Engenharia Urbana na UFABC (Universidade Federal do ABC), mas, quando pesquisei sobre a carreira, vi que não era o que eu realmente queria. O curso que quero é Engenharia Civil e vou tentar a Unesp no meio do ano. Ter a possibilidade de mudar de área e fazer aquilo que se gosta é muito bom. Esse é meu terceiro ano de cursinho e foi difícil não ir para a faculdade na UFABC. O que me animou mais foram os professores que me incentivaram e me mostraram que, com mais um tempo de cursinho, eu conseguiria alcançar meu objetivo. Para mim, o vestibular do meio do ano é uma nova oportunidade e acaba facilitando para aquele candidato que já está preparado e, por um vacilo, uma brecha em determinada matéria, não conseguiu ingressar no vestibular de verão. Este tem menos concorrência e pressão e os candidatos estão menos cansados e mais confiantes. Hoje me sinto mais preparado. Agora revejo assuntos que consigo dominar, mas você não pode se deixar levar pela autoconfiança. Tem que estudar como se nunca tivesse visto aquela matéria, com vontade. O vestibular anterior me possibilitou perceber o que preciso estudar mais"

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