JF Diório/Estadão
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Leonor Macedo, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2016 | 07h48

SÃO PAULO - Se conhecer bem como é o vestibular da universidade garante ao aluno uma segurança maior na hora de realizá-lo, é bom tomar como modelo apenas os exames dos últimos dois anos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Isso porque a prova passou por significativas mudanças nos anos 2000, com a volta dos testes de múltipla escolha para o processo seletivo - desde 1987, eles tinham sido abolidos da avaliação.

Em 2014, a primeira fase do processo seletivo passou de 48 para 90 questões de múltipla escolha. A redação ficou apenas para a segunda fase junto com as questões dissertativas. Para este ano, a prova não deve reservar mudanças, a não ser o aumento das questões interdisciplinares, que foram de quatro para 12.

Alguns dos diferenciais do vestibular da Unicamp diante de outras universidades estão justamente no conteúdo das questões da primeira fase. Conceitos de Sociologia e Filosofia, por exemplo, podem aparecer nas provas de História e Geografia. O último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) teve diversas perguntas baseadas nas duas disciplinas e isso deve ocorrer na Unicamp também. 

Em Inglês, não é exigido do estudante um conhecimento tão aprofundado quanto era pedido quando a disciplina fazia parte da segunda fase, conforme informações da Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest), órgão da Unicamp responsável pela elaboração e pela realização do processo seletivo. 

Na média, as questões de múltipla escolha da universidade de Campinas são muito diretas e às vezes a resposta está no próprio enunciado. “É por isso que ensinamos nossos alunos a lerem e entenderem bem o que estão pedindo”, esclarece Cristiane Siniscalchi, coordenadora de Linguagens da Escola Móbile. Por dois anos consecutivos, a Móbile ficou em primeiro lugar no Enem entre as escolas paulistanas com maior número de alunos.

Outra característica da prova da Unicamp é o total de alternativas a cada pergunta: são quatro, enquanto em outras provas costumam ser cinco. Na primeira fase, cada questão de Conhecimentos Gerais vale um ponto. São 13 questões de Matemática e 13 de Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa; 9 de História e 9 de Geografia; 9 de Física, 9 de Química, 9 de Biologia, 7 de inglês e 12 interdisciplinares. 

Mais leve. Em São Paulo, quem presta Unicamp geralmente também faz o vestibular da Universidade de São Paulo (USP), por conta da proximidade entre Campinas e a capital paulista. Ao comparar as duas provas da primeira fase, os alunos tendem a achar a da Unicamp mais leve.

“Mas isso não quer dizer que ela é mais fácil de entrar, principalmente para os candidatos provenientes de escolas particulares”, conta Edmilson Motta, coordenador-geral do Curso Etapa. “A Unicamp tem uma oferta de vagas muito boa para os alunos vindos de escola pública.” 

Para 2017, a universidade abriu 3.300 vagas em 70 cursos. A meta é que 50% delas sejam destinadas a estudantes oriundos do ensino público brasileiro. Portanto, não há segredo nem milagre: quem quiser ingressar na Unicamp precisa estudar. “O candidato que passa na universidade de Campinas sabe bastante, teve uma base boa e com certeza vai conseguir ir bem no curso. Mas é preciso se dedicar, ler todos os livros obrigatórios e prestar bastante atenção na prova”, afirma Motta.

De acordo com o coordenador-geral do Etapa, um grande obstáculo para o sucesso no vestibular de qualquer universidade é o preconceito que os estudantes têm com determinadas disciplinas. “Muitas vezes o aluno gosta mais de uma disciplina e não gosta de outra. Quando ele faz a prova, nem lê os enunciados daquela matéria por achar que vai mal e chuta as respostas. Só que nem sempre os testes estão difíceis e ele vai chutar e errar por besteira, por puro preconceito.” 

Segunda fase. Para quem vencer a primeira etapa da Unicamp, a segunda fase demandará ainda mais empenho. “Agora a dificuldade é considerada equivalente à da Fuvest, e as notas da Unicamp até tradicionalmente costumam ser mais baixas”, conta o coordenador-geral do Etapa. 

De olho na redação, a Escola Móbile estende os horários das aulas aos estudantes com oficinas, palestras e plantões. “Aqui até treinamos testes, mas nosso interesse maior é na escrita do aluno: em como ele vai desenvolver o texto tanto na Redação quanto nas questões dissertativas e se fazer entender”, afirma a coordenadora de Linguagens da Escola Móbile. 

A segunda fase da Unicamp é dividida em três dias, e o exame é idêntico para todos os candidatos. No primeiro dia, são aplicadas a prova de Redação, composta por duas propostas de textos, e a prova de Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa, com seis questões. 

No segundo dia, os candidatos realizam as provas de Geografia, História e Matemática, também com seis perguntas por disciplina. No terceiro e último dia, os candidatos fazem exames de Ciências Biológicas, Química e Física, totalizando 42 questões dissertativas na segunda fase. 

Cada questão da segunda fase vale até quatro pontos, e os textos da prova de Redação somados podem render até 48 pontos aos candidatos.

Confira a seguir dicas para seguir na reta final:

Mergulhar na literatura

Ler os livros obrigatórios: eles realmente aparecem nas questões

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Resolver exercícios

Fazer provas anteriores para se conhecer a dinâmica do vestibular da Unicamp

Manter qualidade de vida

Ter uma boa alimentação e dormir bem para estar descansado

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Larissa Kumagai, O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2016 | 07h46

“Nestes últimos dias que antecedem a prova, eu decidi relaxar. Eu me concentro muito durante as aulas, mas vi que precisava desacelerar, sob o risco de ficar nervosa, caso percebesse que não domino algum conteúdo, e acabar pondo tudo a perder.

Quando digo tudo, é tudo mesmo. Desde a 8.ª série eu já sabia que queria Medicina e venho me preparando. No início deste ano, no entanto, era tanta ansiedade que cheguei a ter um início de depressão. Foi o psicólogo da escola que me ajudou a vencer isso: ele me orientou a diminuir o ritmo frenético de estudo, pelo menos nos fins de semana. Deu certo.

Durante todo o ano, meu método consistiu em assistir às aulas no período da manhã e revisar o conteúdo por umas quatro horas em casa. Em alguns dias, o colégio também tem atividades durante a tarde. Fiz muitos simulados no Objetivo, onde estudo, e prestei a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) no ano passado para já conhecer a prova. Agora é ver o que acontece. 

No Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), a estratégia parece ter dado certo. Fui bem. De qualquer forma, como vestibulanda de Medicina, sei que existe uma grande possibilidade de eu ter de fazer cursinho. Se isso acontecer, já internalizei que enxergarei isso como uma segunda chance, não como um fracasso.” / DEPOIMENTO A OCIMARA BALMANT, ESPECIAL PARA O ESTADO

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Melissa Baba, O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2016 | 08h18

“No meu caso, que sou aluna de Dança, passar no vestibular significava ter de me sair bem tanto nas provas da primeira e da segunda fase como na avaliação prática. Então, tive de me preparar para ambas. 

Para a teórica, mantive minha rotina habitual de estudo. Como o meu colégio, o Ítaca, é forte em conteúdo, eu sempre fiz todos os trabalhos, nunca faltava nas oficinas de redação, que eram frequentes, prestava muita atenção nas aulas, fazia as anotações do que considerava mais relevante e relia as minhas anotações em casa. Isso na primeira fase. 

Para a segunda fase, eu sabia que precisava estudar mais e me concentrei em assistir a videoaulas e fazer alguns simulados. Isso principalmente para as disciplinas de Exatas, que eu tenho muita dificuldade de estudar sozinha, preciso sempre de alguém me explicando. 

Vencida essa etapa, veio a prova de habilidades. Foi tenso também, apesar de sempre ter feito aulas de dança. Você sente um nervoso que transparece no seu corpo até o primeiro passo. Depois que começa, você se acalma e a coisa flui. Daí foi só esperar a lista de convocados.” / DEPOIMENTO A OCIMARA BALMANT, ESPECIAL PARA O ESTADO

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