Vestibular da Unesp mantém estilo, apesar do anúncio de mudanças

Para professor de cursinho, anúncio de alteração foi 'muito barulho por nada'

Elida Oliveira, Especial para O Estado de S. Paulo

08 Novembro 2009 | 20h33

O vestibular da Universidade Estadual Paulista (Unesp), realizado ontem na capital e em 29 cidades do interior de São Paulo, teve o formato modificado neste ano, mas continuou com conteúdo semelhante ao exigido em edições anteriores, na análise de professores de cursinhos ouvidos pela reportagem. Confira o gabarito das 90 questões do exame de conhecimentos gerais: http://bit.ly/2bPCOC   Os professores consideraram que o exame continuou "com a cara da Unesp", bem formulado e com questões de níveis fácil e médio. Pela primeira vez, a universidade fará um vestibular em duas fases – até então o processo seletivo era feito durante três dias consecutivos. "Foi muito barulho por nada", disse Edmilson Motta, coordenador do curso Etapa. Para ele, algumas disciplinas mantiveram o estilo Unesp, e apenas inglês e geografia tiveram modificação, com mais conteúdo e contextualização. "Foi fácil, em cima do conteúdo do ensino médio", disse Edson Rotana, professor de biologia do cursinho da Poli.   "Português manteve a tradição de ser interpretativa, mais fácil que anos anteriores, quando era apenas escrita. A novidade foram as questões interdisciplinares, no estilo do Enem", analisa Nelson Dutra, professor de português do Objetivo. Robson Santiago da Silva, professor de história do Objetivo, considera que as questões foram de bom nível. "Foi sem pegadinha, com bom conteúdo", disse. Cristina Armaganijan, professora de inglês também do Objetivo, afirmou que o exame exigiu apenas interpretação de texto. "A Unesp manteve suas características."   A exceção ficou por conta de matemática. "Foi muito difícil. Por ser um dia de conhecimentos gerais a prova é descabida. É feita para todos os alunos, mas foram pedidas coisas específicas, como raiz de um número complexo, questão sobre elipse, que raramente aparece", afirma Giuseppe Nobilioni, coordenador de matemática do Objetivo. Segundo ele, a questão 88 e 89 de matemática sugerem a resolução de uma equação com base em dados que não chegam ao resultado. "O aluno poderia resolver, mas só se ele não seguisse as orientações da prova."   A prova da Unesp teve 76.518 inscritos para 6.394 vagas em 153 opções de curso. Cerca de 5.012 (6,6%) dos candidatos não compareceram aos locais de prova, em todo o Estado. Os portões abriram às 13 horas e fecharam às 14 horas. Na Uninove, local de prova com 11.412 inscritos, pelo menos oito candidatos não conseguiram chegar a tempo. A maioria disse ter enfrentado problemas com o trânsito ou o transporte público.   Leia mais:   A vida de pais de vestibulando            FOTOS: SERGIO CASTRO/AE Floriano Katsuiti, Thiago Eiji Takaiama e Janes Soares se atrasaram e perderam o vestibular da Unesp     Floriano Katsuiti, de 18 anos, foi o primeiro a chegar depois que os portões da Uninove estavam fechados. Ele mora em Suzano, e havia planejado fazer o percurso de trem, mas obras de manutenção da linha aumentaram os intervalos entre eles. Esta também foi a razão do atraso de Thiago Eiji Takaiama, de 16 anos. Janes de Abreu, 20 anos, pegou carona com o namorado, mas um evento esportivo em Santo André bloqueou parte das ruas e ele ficou preso no congestionamento. Gustavo de Abreu, 20 anos, errou de dia e de prova: inscrito para o vestibular da Uninove, aplicado no sábado, ele compareceu ao câmpus apenas neste domingo, no exame da Unesp.   Com medo de se atrasar para a prova, Guilherme Dias de Sousa, de 18 anos, chegou duas horas antes do início da prova. Ficou nos portões, esperando a abertura. "Ano passado eu quase me atrasei para o Enem, não quis arriscar." O amigo João Vitor Rodrigues, de 18 anos, também foi cedo. "Acho melhor chegar antes, para me tranquilizar."   Já Saiskia Barbosa, 17 anos, confundiu-se com o horário de verão. "Na minha inscrição estava escrito horário de Brasília." Perdeu a prova por 15 minutos de atraso, depois de passar duas horas em ônibus, metrô e trem, vinda de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.  

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