Vestibular da FGV 'seguiu o padrão', diz cursinho

Seleção para os cursos de Administração em São Paulo foi realizada neste domingo

Estadão.edu,

09 Dezembro 2012 | 19h57

A FGV-SP realizou neste domingo, 9, o vestibular para os cursos de Administração de Empresas (200 vagas) e Administração Pública (50 vagas).

 

De manhã, os estudantes resolveram o módulo objetivo, com 60 testes de matemática, língua portuguesa, língua inglesa e Ciências Humanas - cada área tinha 15 questões.

 

Para o Objetivo, a prova “seguiu o padrão”. “As questões de inglês eram difíceis, com vocabulário econômico e alternativas em inglês”, diz a coordenadora do cursinho Vera Lúcia da Costa Antunes. “Mas isso não assusta os candidatos porque já se espera que tenham um padrão mais alto.”

 

As questões eram baseadas em dois textos publicados em agosto pelas revistas The Economist e Newsweek. Segundo o professor de inglês Renato Aizenstein, do cursinho CPV, a maioria dos itens tinha nível médio de dificuldade, embora as respostas não pudessem ser encontradas de imediato. "Em algumas questões era necessário fazer uma leitura atenta e analisar criticamente a proposta do enunciado."

 

Para ele, a questão 38 (no caderno A) inovou ao cobrar uma "análise distanciada" do texto. "Era uma questão no condicional que fazia o aluno refletir sobre o texto. Foi bem elaborada e teve um grau maior de dificuldade."

 

Em português, o exame exigiu interpretação de textos, literatura e até gramática, algo que não costuma cair nos vestibulares.

 

Na parte de Humanas, cinco testes eram de história - dois de história do Brasil. Um deles versava sobre a presença holandesa no Nordeste do País e o outro, bastante criticado pelo CPV, falava do processo de redemocratização em 1982. "O teste 50 (na versão A) é muito mal redigido e solicita do aluno um saber de especialista, quase jurídico", afirma o professor Wanderley Scatolin.

 

Vera Lúcia, do Objetivo, diz que apenas cinco questões de história não são o bastante para avaliar a formação dos candidatos. Por outro lado, elogiou a parte de atualidades e geografia, que versaram sobre a crise na Europa e a situação da Síria, por exemplo.

 

Módulo discursivo

 

À tarde os candidatos de Administração de Empresas fizeram dez questões discursivas de matemática aplicada que privilegiaram a parte de matemática financeira, como já é tradição na FGV-SP. "O candidato sabe que esse conhecimento será cobrado e se prepara."

 

Na opinião do professor de matemática do CPV Geraldo Akio Murakami, tanto a prova da manhã como a da tarde tinha questões claras e bem formuladas. "A banca está de parabéns. O exame consegue discriminar alunos bons dos médios e dos ruins."

 

Murakami destaca a mudança no perfil da prova dissertativa. Ele lembra que, no semestre anterior, a FGV inovou ao montar uma prova temática, com questões que sempre se referiam a um texto. "Isso criou uma dificuldade na dinâmica de resolução porque a todo momento o aluno precisava parar e buscar dados do problema no texto. E algumas questões dependiam da resolução de questões anteriores", diz. Agora o exame também foi temático, mas os dados para resolução das perguntas vinham no próprio enunciado. "Esse formato facilitou a vida do aluno."

 

Já quem prestou para Administração Pública respondeu a cinco questões de história e geografia. E na prova sobre o “Brasil contemporâneo” tiveram de escrever uma redação analisando argumentos favoráveis e contrários ao Bolsa Família. "Não é um tema difícil. O vestibulando da FGV conhece o programa. Ele precisava assumir um lado na questão", diz a professora de redação do CPV Daniela Aizenstein.

 

Os candidatos dos dois cursos também fizeram uma redação com o mesmo tema: a tendência à criação de um mundo de “conformistas mimados”, ideia apresentada por um artigo do colunista do The New York Times Roger Cohen, reproduzido no jornal Folha de S.Paulo.

 

"O aluno não consegue sair escrevendo às cegas sobre este tema. Precisa refletir antes se somos uma sociedade de conformistas, medrosos, ou de pessoas que se mobilizam e se esforçam para transformar as situações", afirma Daniela. Para ela, a "grande sacada" da prova foi um item sobre o qual o aluno deveria refletir: se tal tendência ao conformismo se verifica também nos estratos sociais superiores do Brasil. "Fez o candidato refletir sobre sua própria situação."

 

O gabarito e a resolução das provas discursivas serão publicados na noite de quarta-feira, 12, e o resultado final do vestibular sai no dia 11 de janeiro.

 

* Atualizada às 23h20

Mais conteúdo sobre:
Vestibular FGV Administração

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.