Vestibulandos testam game educacional com conflitos globais

Game dinamarquês é trazido ao Brasil por Cidade do Conhecimento da USP

Paulo Saldaña, Especial para o Estadão.edu

29 Março 2010 | 20h18

No vilarejo mexicano de Xococ, perto de Ciudad Juarez, uma fábrica de bateria controlada por uma empresa americana fechou, deixando um rastro de desemprego e poluição. Os jornalistas Daniel Rauh e Daniel Salles querem desenterrar a história real por trás do fechamento da fábrica, que, segundo informações do padre Salvador e da ex-funcionária Veronika, envolvem exploração de trabalhadores, doenças e mortes.

Xococ existe, e o contexto recheado de problemas também. Mas os informantes são personagens de um jogo; Rauh e Salles, ambos de 17 anos, são alunos do colégio Pentágono. Eles testaram a convite do Estadão.edu o game Conflitos Globais – criado na Dinamarca e trazido ao Brasil pela Cidade do Conhecimento, núcleo de pesquisa em mídias digitais da USP.

Para o diretor acadêmico da Cidade do Conhecimento, Gilson Schwartz, “jogos sérios” como o Conflitos Globais representam um salto no uso da web na educação: da interatividade para a imersão. “O aluno não tem que responder a um estímulo, mas a um conjunto de interações por meio do avatar (o jornalista virtual, que busca material para um artigo). Do ponto de visto pedagógico, é uma experiência nova”, diz Schwartz.

O game foi criado para ser aplicado na sala de aula, com a interferência do professor. Na simulação, Schwartz guiou Rauh e Salles em sua missão. Com olhos fixos nos gráficos 3D, os dois anotaram informações importantes.

 

Nas entrevistas virtuais descobriram, entre outras coisas, que 1 milhão de mexicanos trabalhavam em 2003 em 3.288 fábricas como a do game (voltadas para a exportação, elas são chamadas de maquiladoras). Na sala de aula, o objetivo é que o aluno escreva um artigo sobre o que investigou no jogo. Depois, o resultado será compartilhado em uma rede social.

Embora pretendam cursar Medicina, os estudantes gostaram da imersão num tema internacional. "As coisas entram na cabeça sem querer. Seria bom jogar em casa”, diz Rauh. Salles, que tem família em Israel e se mantém informado sobre o Oriente Médio, elogiou a forma como o game apresentou o conteúdo. “Como temos de usar essas informações, fixa. Às vezes, você só lê e esquece.”

Salles tem razão. Segundo estudos da Cidade do Conhecimento, a taxa de retenção de conteúdo a partir de experiência como a dos games é de até 80%. Com um texto, a porcentagem fica entre 15% e 20%.

Na versão trazida ao Brasil, sobre conflitos na América Latina, há cinco missões, passando por México, Bolívia e Guatemala.

 

O esforço agora é levar o produto a escolas e universidades. O custo vai depender da quantidade de estudantes, mas pode chegar a R$ 5,00 por aluno. O projeto prevê um suporte pedagógico para os professores.

Depois da divulgação do Conflitos Globais, a Cidade do Conhecimento tem planos mais ambiciosos: criar, aqui no Brasil, um jogo temático sobre a Amazônia.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.