Vestibulandos da Fuvest aprovam redação sobre a auto-estima

A Fuvest acompanhou a onda otimista e nacionalista no País e pediu neste domingo aos vestibulandos que dissertassem sobre a auto-estima do brasileiro. A prova de redação começou às 13 horas e foi realizada por cerca de 27 mil candidatos, no primeiro dia da segunda fase do vestibular. Eles responderam também a dez questões dissertativas de português. O tema, apesar de atual, não mencionou as eleições presidenciais ou a vitória na Copa do Mundo, e agradou aos candidatos. ?Gostei muito de escrever sobre isso e falar da esperança do povo brasileiro?, disse Renato Gomes Garcia, de 17 anos, que concorre a uma vaga em Jornalismo. Para Janaína Salles, de 19 anos, candidata ao curso de Música, ?o tema teve tudo a ver" com o momento que o Brasil está vivendo. A prova de redação trouxe três fragmentos de textos: um verbete do dicionário Houaiss sobre auto-estima, um poema de Carlos Drummond de Andrade e uma crônica do jornalista Zuenir Ventura, de dois anos atrás. ?Não foi mencionada nenhuma notícia atual, mas esse repertório podia ser enfocado?, disse o professor de português do curso Objetivo, Fernando Teixeira. ?É um tema sobre o qual o aluno está sendo chamado freqüentemente a refletir". Segundo o vestibulando Ryuji Inagaki Júnior, de 21 anos, ?para quem estava bem informado e atualizado, foi fácil escrever?.Dos 27.717 candidatos convocados para a segunda fase da Fuvest, 1.739 (6,27%) não compareceram. Na primeira prova dessa etapa no ano passado, o índice foi de 5,37%. O maior número de faltas foi registrado no interior do Estado, com taxa de 7,27%. Na capital e região metropolitana, a abstenção ficou em 5,57%.A maioria dos alunos disse ter considerado fácil a avaliação de português. Das dez questões, quatro se referiam à literatura brasileira. As demais eram sobre gramática. As obras citadas foram Os Lusíadas, O Primo Basílio, Primeiras Estórias e Macunaíma, todos elas de leitura obrigatória para a prova.?Foi mais fácil que a primeira fase. As perguntas eram diretas e sem ambigüidades?, disse Odair Denani Júnior, de 21 anos. ?A Fuvest não é nenhum bicho de sete cabeças como o pessoal costumar pintar?, disse Bruno Zago, de 19 anos, ao deixar o local de exame. Para o professor do Objetivo, as dez questões de português mediram mais o potencial do aluno do que o conhecimento do programa. ?Ela foi bem acessível, inclusive para alunos de escolas públicas.?O peso da redação, assim como das demais provas da segunda fase, é de 40 ou 80 pontos, variando de acordo com a carreira escolhida. Essa etapa vale, no máximo, 160 pontos. Isso equivale a pelo menos metade da pontuação final no vestibular. A primeira fase da Fuvest vale também 160 pontos.A USP oferece este ano 8.331 vagas, 520 a mais que no ano passado. A Fuvest seleciona ainda alunos para a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa (230 vagas) e para a Academia de Polícia Militar do Barro Branco (150 vagas). Dentre os cerca de 27 participantes da segunda fase, estão 3.721 treineiros, alunos que ainda não terminaram o ensino médio e fazem a prova apenas para testas conhecimentos.

Agencia Estado,

05 de janeiro de 2003 | 20h49

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