ED FERREIRA/ESTADAO
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Versão online do Enem é apenas uma ideia, diz Cid Gomes

Ministro da Educação sugeriu formação de banco de questões para a prova e comentou ainda o corte de verbas de R$ 7 bi para a área

Angela Lacerda, O Estado de S. Paulo

09 Janeiro 2015 | 18h37

RECIFE - O ministro da Educação, Cid Gomes (PROS), afirmou nesta sexta-feira, 9, no Recife, que por enquanto "não passa de uma ideia" a eventual transformação do Enem em um exame online a ser realizado mais de uma vez por ano. "Mas acho que vale a pena investir nesta ideia, é uma ideia em cima de tecnologias que já estão disponíveis", defendeu.

"Em um livre pensar, acredito que a tendência natural - sem estabelecimento de prazo - é que a gente não precise mais de todo este aparato de guerra que é a realização de um exame único, no mesmo dia, em todos os lugares do Brasil", explicou, ao lembrar que o governo tem de oferecer oito milhões de inscrições a cada exame - embora, no último, mais de dois milhões tenham se inscrito sem comparecer à prova.

O Enem eletrônico não seria aplicado em um único final de semana e os estudantes poderiam fazer o teste em locais credenciados, respondendo a prova em terminais de computadores e escolhendo as questões a serem respondidas nos bancos de perguntas. O modelo se inspira no SAT, exame realizado nos Estados Unidos que permite a aplicação de questões distintas de forma simultânea.

"A gente pode fazer isso", disse Gomes, sugerindo, por exemplo, um concurso que premie professores que venham a criar questões bem elaboradas. "Imagino que se a gente for constituindo um grande banco de dados de questões de português, matemática, química, biologia, física, que sejam avaliadas e testadas, se a gente tiver um banco de dados com 40 mil, 60 mil,  80 mil questões, este banco pode ser público e a gente não vai ter preocupação com cofre ou sala-cofre", acrescentou. Para ele, o fato de os alunos terem acesso ao banco de dados não desmerece a prova. "Se alguém for capaz de fazer todas as questões acertadamente é um gênio e já merece entrar na faculdade".

Ao seu ver, o Enem eletrônico daria mais tranquilidade e oportunidade para a juventude. Gomes não se aprofundou, no entanto, em relação à confiabilidade da atual rede de internet para a implantação de um projeto neste sentido.

Experiências positivas. Primeiro Estado a ser visitado pelo novo ministro, Pernambuco foi escolhido para inaugurar as viagens que fará pelo País em busca de experiências positivas na educação, por ter sido o que teve melhor desempenho no Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico (Ideb). De 2011 a 2013 - o exame é realizado de dois em dois anos - Pernambuco passou da 16ª para a quarta posição no ranking nacional, exatamente no ensino médio, que o ministro considera "nevrálgico". Para Cid Gomes, boas práticas poderão ser disponibilizadas e replicadas para todo o País.

Corte. Indagado sobre o anunciado corte de R$ 7 bilhões do orçamento da Educação, apesar de a presidente Dilma Rousseff ter eleito como slogan do seu segundo governo "Brasil, Pátria educadora", Cid Gomes disse não ter visto contradição. Ele observou que o corte não vai prejudicar a atuação da área porque "não há um centavo de corte na atividade fim". Ele disse concordar com a medida do governo que visa a reduzir gastos com o custeio de funcionamento da máquina e frisou ainda o "caráter provisório" dos cortes.

No Recife, o ministro visitou uma escola municipal que adota programas de robótica no ensino fundamental, ao lado do prefeito da cidade Geraldo Júlio (PSB) e almoçou no palácio do Campo das Princesas com o governador Paulo Câmara (PSB), depois de ter assistido a uma apresentação sobre as experiências implantadas no Estado pelo ex-governador e ex-presidenciável Eduardo Campos (PSB), morto em agosto em um acidente aéreo. Depois visitou duas instituições federais.

Apesar do relacionamento cordial e dos elogios feitos pelo prefeito Geraldo Júlio ao ministro, Paulo Câmara garantiu que não há uma reaproximação do PSB com o governo federal. 

"Somos um governo que o nosso partido declarou independente em relação ao governo federal", frisou, ao explicar que irá defender o que entender ser importante para o Brasil - e isto inclui a pauta da educação. Destacou que a escola de tempo integral para todos os alunos da rede publica estadual é uma bandeira do PSB. "Sem integração e sem espírito público a gente não consegue atingir objetivo", observou.

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