Vencedor é apontado como o preferido de reitora

Glaucius Oliva é um dos responsáveis pelo Inclusp, marco da gestão Suely Vilela

11 Novembro 2009 | 19h20

  Lista tríplice:  Glaucius Oliva, João Grandino Rodas e Armando Corbani     Dois dos três nomes que compõem a lista tríplice para reitor da Universidade de São Paulo (USP) têm ligação com a atual reitora Suely Vilela, que deixa o cargo sob críticas de vários setores da universidade: o cientista Glaucius Oliva, primeiro colocado na votação, e o físico Armando Corbani, terceiro. O diretor da Faculdade de Direito, João Grandino Rodas, segundo colocado, é o unico que não tem apoio da atual gestão. A lista segue agora para o governador José Serra, que nomeará o novo reitor. Oliva recebeu 161 votos no 3º escrutínio da votação. É o mais cotado para assumir o cargo, porque, tradicionalmente, o governador escolhe o mais bem colocado na eleição. Oliva tem 49 anos e é diretor do Instituto de Física de São Carlos. O candidato a reitor foi um dos responsáveis pelo Inclusp, programa de inclusão da USP, que garante pontos a mais na Fuvest para alunos de escolas públicas. Sua participação na elaboração do projeto - um dos marcos da gestão Suely Vilela - teria colaborado para que se tornasse o preferido da reitora para a sucessão. Entre suas principais propostas, ele defende grandes mudanças no vestibular da Fuvest: diz que a prova poderia ser substituída pelo Enem em alguns cursos. Em outros, a Fuvest faria apenas a segunda fase. Referência na pesquisa de proteínas para desenvolvimento de fármacos, Oliva já declarou que todos os programas de cursos da USP devem estar disponíveis na internet. "Tem muito professor que fala que não quer colocar o programa na internet porque o professor da Unip vai copiá-lo e vai dar o mesmo curso lá. Mas isso é melhor coisa que pode acontecer."   Leia mais:  Cientista é o preferido da reitora, mas não de Serra  Veja no blog no Estadão.edu o passo a passo da eleição  Oliva: defesa do Enem para seleção na USP  Rodas: crítica a piquetes na universidade  Corbani: não há cisão entre gestões   O diretor da Faculdade de Direito,  João Grandino Rodas, recebeu 104 votos na etapa decisiva da eleição. Aos 63 anos, foi o primeiro a declarar intenção de substituir Suely Vilela, defendendo avaliação de cursos, mudanças no projeto de inclusão e mais diálogo. Rodas atacou "excessos" dos policiais durante confronto com grevistas na Cidade Universitária em julho deste ano, mesmo ressaltando que a convocação da polícia era a "única saída para a reitora". Rodas, que na sua gestão encolheu as enormes turmas do Direito, mudou o projeto pedagógico e mobilizou ex-alunos para doações que custearam reformas. Ele sempre foi tido como um dos mais fortes candidatos à sucessão de Suely. Desde o início do ano, reuniões que discutem um eventual programa de gestão têm a presença de ex-reitores e diretores das mais importantes unidades. O jurista, que têm simpatizantes no primeiro escalão do governo estadual, não tem o apoio da atual reitora, mas evita falar em oposição. Especialista em Direito Internacional e ex-juiz federal, Rodas presidiu o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) durante a compra da Garoto pela Nestlé. Antes disso, foi consultor jurídico do Ministério das Relações Exteriores, durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Hoje é membro do Tribunal Permanente de Revisão do Mercosul, a mais alta instância para solução de disputas no bloco econômico. O físico Armando Corbani, terceiro colocado na eleição com 101 votos, trabalha há quase uma década ao lado da atual reitora da USP. Era o segundo na hierarquia da pró-reitoria de Pós-Graduação quando Suely ocupava a chefia da área, na gestão anterior. Ajudou na campanha que a elegeu em 2006 e ficou então no seu lugar na mesma pró-reitoria, onde está até hoje. Aos 62 anos, Corbani já delarou acreditar que o cenário futuro da USP não deve ser de muitas mudanças. "Não se coloca um castelo no chão e se constrói outro. Você faz melhorias de maneira geral em setores que acha que estão mais comprometidos. Não há como ser fortemente a favor de uma direção ou fortemente contrário a outra." Corbani classifica como "boa" a gestão de Suely, principalmente pelo programas de inclusão, que considera "um avanço". Uma de suas propostas prevê que seja acrescentado o critério de renda ao programa, para que só estudantes pobres recebam pontos a mais na Fuvest. Hoje, é necessário apenas ser aluno de escola pública para conseguir o benefício.

Mais conteúdo sobre:
pontoedu usp eleição reitoria

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.