Magno Barbosa Verli
Magno Barbosa Verli

‘Casos de covid aumentaram na cidade e percebi que não valia a pena fazer Enem'

Manuela de Oliveira Verli, de Juiz de Fora, optou por não colocar a vida dos pais em risco

Ilana Cardial, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2021 | 11h00

Aos 18 anos, Manuela de Oliveira Verli, sonha em estudar Turismo. Mesmo inscrita, não realizou o Enem por medo de contaminação da covid-19. Moradora de Juiz de Fora (MG), Manuela se assustou com o aumento do número de casos e optou por não arriscar a sua vida e a de seus pais, que são do grupo de risco. Para ela, o Enem deixa o sentimento de frustração e a dúvida: “E se eu tivesse conseguido passar?”. Leia a seguir o relato:

Desisti da prova por causa da covid-19. Meus pais são do grupo de risco e eu não queria colocar a minha vida e a deles em risco. Meu pai tem problema do coração e diabete, e minha mãe tem aneurisma. Esse seria meu primeiro Enem. Sou de escola pública e estava estudando por conta própria. Não é a mesma coisa que um cursinho ou uma escola particular, mas eu estava tentando o meu melhor e por isso fiquei frustrada por não fazer.

Foi uma escolha minha e não me arrependo. A minha vida e a dos meus familiares sempre vão vir em primeiro lugar, mas ainda tem aquele gostinho de frustração, de estar jogando uma oportunidade no lixo. Duas semanas antes da prova, eu já estava sentindo medo e preocupação. Na semana do Enem, me perguntei se deveria ir. Aumentaram os casos na minha cidade, teve aquela situação em Manaus e eu percebi que não valia a pena.

Sou muito ansiosa com essas coisas de futuro. Tem aquela coisa de que ‘se eu não fizer agora, não vou ter chance nenhuma’. Conversei com minha mãe e meu irmão, que me acalmaram, e bati o martelo no sábado de que não iria.  É uma decisão difícil? É. Eu estou perdendo a isenção e a chance de ver como funciona. Eu ainda tinha esperanças que adiassem. No dia da prova, fiquei indignada, com raiva e muito frustrada, mas vi que fiz a escolha certa. É frustrante ver que o futuro do País é tratado desse jeito.

É um sonho meu fazer faculdade e estou tentando conseguir. Vejo que essa é a prova que poderia decidir o meu futuro ou, pelo menos, poderia ter arrumado meu futuro mais cedo. Fica a questão: ‘E se eu tivesse conseguido passar?’.

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