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Vazamento de bromo suspende aulas em faculdade da UFRJ

Mesmo com ordem de cancelamento, estudantes circulam pelo prédio do Centro de Ciências da Saúde nesta segunda-feira

Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

05 Outubro 2015 | 12h40

Atualizado às 22h53

RIO - Um vazamento do elemento tóxico bromo em um dos laboratórios do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro (CCS-UFRJ) provocou a suspensão de pelo menos dois dias de aulas dos 8,5 mil alunos de graduação que estudam no prédio, na Ilha do Fundão (zona norte). Até esta terça, os cursos estão interrompidos. É o prazo para que uma medição detecte se a concentração de partículas de bromo nas instalações oferece risco aos alunos., professores e funcionários. As faculdades ofereciam nesta semana aulas de reposição do último semestre, após o fim da greve da instituição. 

O incidente ocorreu na última quinta-feira à noite, 1º, dentro de um dos laboratórios do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, o LassBio, localizado no subsolo do bloco B do prédio. Três cientistas estavam no local quando o vazamento foi descoberto. Eles foram encaminhados para o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho. Não há informações sobre seu estado de saúde.

De acordo com a decana do Centro de Ciências da Saúde, Maria Fernanda Nunes, a descoberta de uma ampola quebrada com 10 mililitros da substância tóxica dentro de uma geladeira do laboratório foi feita por um pesquisador. Não se sabe ainda o que provocou a ruptura do recipiente, que foi trancado em uma urna isolada e retirado do local.

"Como teríamos hoje vários alunos circulando e iniciaríamos parte do período letivo, decidimos, por segurança, cautela e precaução, suspender as aulas", afirmou a decana. 

Mesmo com a ordem para a suspensão das atividades, alunos circulavam nesta segunda pelo prédio do CCS e até pelo térreo do bloco B, muito perto do local do vazamento. O espaço não foi lacrado. A reportagem do Estado conseguiu chegar facilmente à escada que leva ao subsolo do prédio, onde fica o laboratório contaminado. Na área dos laboratórios, o aviso de interdição é uma folha de papel A4, onde se lê "interditado"e "risco". 

Questionada sobre a eficácia da estratégia do isolamento, Maria Fernanda disse que os alunos, pesquisadores e funcionários "estão avisados" sobre o impedimento da circulação no térreo do bloco B.

"Manteremos interditado o bloco B até termos certeza que não tem bromo circulando, porque ele volatiliza. Sabemos que é um acidente grave com uma substância tóxica", disse Maria Fernanda.

Alguns funcionários se queixaram do cheiro do material químico. Eles temem ser contaminados pelo elemento. "Do jeito que está ninguém poderia entrar (no prédio). Claro que fico preocupada. Dizem que o cheiro não mata, mas faz mal. Tinham de ter lacrado o local. Muita gente nem está sabendo", afirmou uma funcionária terceirizada que trabalha no CCS. Ela contou ter sido obrigada a ficar no local para "informar os alunos". 

As atividades da pós-graduação não foram interrompidas, o que deixou estudantes receosos. "Até agora não recebemos nenhuma notícia oficial sobre o que fazer, ou se poderemos acessar o prédio normalmente amanhã ou não. Caos total", disse uma estudante, que pediu anonimato. 

Alunos de pós-graduação dizem estar com sintomas de intoxicação após frequentar a área dos laboratórios, que deveria estar interditada. Uma mensagem de e-mail enviada por uma professora de pós-graduação do Centro de Ciências da Saúde a uma colega revela a preocupação da docente, que disse ter encontrado uma aluna grávida circulando na área dos laboratórios no dia em que o vazamento foi descoberto.

"Meus alunos estão passando mal desde quinta-feira, com náuseas, vômitos, pressão baixa e diarreia. A gente realmente não tem segurança nenhuma", desabafa a pesquisadora. 

A previsão da decania do CCS é que duas empresas especializadas realizem a descontaminação do ambiente e a retirada da geladeira onde a ampola se quebrou. A intoxicação por bromo pode levar à morte. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz, a inalação de bromo pode corroer tecidos do corpo e causar queimaduras sérias. Os sintomas incluem dor de cabeça, tosse, vertigem, edema pulmonar e dor abdominal.

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