DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
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‘Vamos usar recursos de escolas privadas’, diz Nalini sobre novo ensino médio

Secretário diz que essa seria a forma de garantir espaços para montar a estrutura necessária para mudanças previstas na etapa

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

24 Setembro 2016 | 03h00

O secretário da Educação de São Paulo, José Renato Nalini, afirmou que deve usar espaços de escolas privadas para adotar o currículo flexível no Estado previsto pela Medida Provisória que muda o ensino médio no País. Essa seria a saída para oferecer aos estudantes a estrutura necessária a fim de abrigar os cinco novos percursos formativos dos estudantes – Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Formação Técnica e Profissional. O secretário disse que a obrigatoriedade do ensino de Artes “não é uma unanimidade” entre os estudantes, mas defendeu a permanência da Educação Física no currículo. Leia a seguir trechos da entrevista ao Estado.

Como o senhor avalia o possível fim da obrigatoriedade de Educação Física e Artes no ensino médio?

Arte não é uma unanimidade. Eu acho que depende da vontade e da inclinação do aluno. Eu, por exemplo, gosto muito. Mas entendo o aluno que vai preferir ter só Educação Física e abandonar Artes. Tem muita gente que passa a vida inteira e, mesmo a disciplina sendo obrigatória, não se torna um amante. Já Educação Física eu insistiria que é necessária, essencial para prevenir problemas de saúde, ter qualidade de vida. Não dá para dispensar.

Mas, para além do gosto pessoal, como o aluno vai adquirir os conhecimentos sobre a área? 

Isso é transversal. É impossível falar de literatura sem falar em arte. Isso leva você até a despertar a imaginação quando faz uma descrição, enxergando um quadro, por exemplo. (Arte) É para quem gosta. É melhor que o aluno vá se quiser do que dormir em uma aula que não interessa a ele.

O senhor é favorável à Medida Provisória? 

É uma medida que resulta de uma grande discussão, antiga. Todo mundo tem uma noção, é um dos poucos consensos na Educação que o ensino médio está frágil. O aluno não encontra interesse. Era preciso mexer. Foi uma medida corajosa.

O Estado de São Paulo já tem hoje dois modelos de ensino integral. Com a oferta de recursos do governo federal para novas escolas, haverá um terceiro modelo ou o governo vai unificá-los?

Vamos fazer aquilo que a gente já sabe e que está dando mais certo, que é o segundo modelo (o atual, Programa de Ensino Integral, que tem professores com dedicação exclusiva e projeto de vida para os alunos). Vamos investir nesse, que teve consenso. É o mais dispendioso, mas é o que está dando mais certo.

Além das 30 escolas de tempo integral oferecidas pelo governo federal, haverá em 2016 mais escola com recursos próprios?

Esse ano não ampliamos por causa do contingenciamento. Em 2017, vamos aproveitar esses recursos (do governo federal). Se conseguirmos economizar em gestão, se sobrar dinheiro, poderemos fazer mais. 

E como as escolas estaduais atenderão a esse novo modelo de currículo flexível?

Isso está em aberto, vamos começar a discutir. Dá para usar todo o equipamento, não só o nosso. Podemos usar equipamentos do município, porque os dois planos, tanto nacional quanto estadual (de educação), incentivam a parceria. Vamos poder usar recurso (espaço) de escolas privadas. O Sistema S (formado por Senai e Sesc, entre outros), então, vamos aproveitar tudo. Nada indica que tenhamos de deixar o aluno no mesmo espaço físico. Vamos poder ter uma logística de reunir aqueles que escolheram uma determinada área e colocar em outro prédio os que escolheram outra. Mas nada está decidido ainda. O pessoal está mais animado do que desanimado, porque o problema da evasão nos preocupa muito e parece que temos uma ferramenta para lutar. 

E haveria dinheiro para poder usar esses espaços privados?

Quem criou a nova modalidade também vai ter de oferecer alternativas. Eu acho que nós vamos conversar bastante com o ministério (da Educação) e ver. O Sistema S tem muitos incentivos. Eles têm consciência de que podem nos ajudar. Estamos pensando na criança, no jovem. Vai haver boa vontade. Deve haver dificuldades porque toda mudança é traumática, mas o que me parece é que não há clima de desânimo e consternação. Há mais vantagens do que desvantagens. 

O senhor acredita que pode haver resistência dos estudantes ou ocupações nas escolas?

Acredito que é alguma coisa em benefício do jovem, que é aquele que queria ser ouvido. Não há motivo (para ocupação) porque essa medida é justamente uma resposta ao que eles queriam. 

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