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Valores ajudam no combate ao bullying

Vítima do que chama de ‘epidemia mundial’, palestrante destaca que é preciso trabalhar o caráter na educação

Entrevista com

Nick Vujicic

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

14 Outubro 2016 | 03h00

Nascer sem braços nem pernas por causa de uma síndrome rara não impediu que o palestrante motivacional e escritor Nick Vujicic, de 33 anos, sofresse com o bullying. Após o lançamento de Fique Forte: Você pode superar o bullying e outras coisas que o deixam para baixo (Editora Novas Ideias, de R$ 10, o livro digital, a R$ 18), o australiano que vive nos EUA iniciou campanha mundial para combater a prática que afeta, principalmente, crianças e adolescentes. 

Em dezembro, ele vem ao Brasil para compartilhar suas experiências e as técnicas anti-bullying que desenvolveu. Em entrevista ao Estado, Vujicic fala sobre como superou as agressões, que o fizeram pensar em suicídio quando tinha apenas 10 anos, e as mensagens que pretende transmitir quando estiver no País.

Seu livro trata o bullying como uma epidemia mundial. Por que resolveu iniciar uma campanha para que as pessoas divulguem o assunto?

Eu fui pessoalmente afetado pelo bullying, então, escrevi o livro para que as próximas gerações entendam que seus valores, propósitos e destinos não dependem do que outras pessoas pensam delas. E saibam que é importante amar uns aos outros, encorajar uns aos outros, ou ao menos estar em paz um com o outro.

Você conta que sua primeira tentativa de suicídio foi aos 10 anos e teve relação com o bullying. Por que a sociedade permite que o bullying, que aparece já na infância, continue se perpetuando?

Acho que a sociedade sempre foi desse jeito. A questão é: como podemos lidar com isso? Precisamos de solução de verdade. Para isso, temos de falar sobre os valores das pessoas o máximo possível, em todas as escolas, em todos os níveis.

Você tem viajado o mundo para, em suas palestras, abordar o tema. Quais semelhanças e diferenças tem encontrado nos casos relatados nesses países?

Eles são na verdade muito parecidos em todo lugar. Infelizmente, acho que o maior problema do mundo em relação ao bullying é alguém acreditar que é mais importante que outra pessoa. Por isso, acho que temos de trazer para o nível educacional a construção do caráter, para entender que todos somos a mesma coisa, precisamos uns dos outros e, juntos, realmente podemos fazer a diferença no mundo. Não temos de nos acomodar.

O que aprendeu com as pessoas que praticaram bullying com você?

Aprendi que, por mais difícil que tenha sido o que passei, eu precisava me aceitar como sou, porque encontrei o meu valor, o meu propósito. Muitos dos que praticam o bullying hoje sofreram o bullying no passado. Aprendi que somente fortalecendo os outros vamos evitar a prática deste mal.

Em dezembro, você estará no Brasil, onde quase metade dos jovens afirma já ter sofrido bullying. O que quer transmitir para o público brasileiro?

Não é a primeira vez que vou ao Brasil, já estive por aí em apresentações fechadas. Mas é a primeira vez que me apresento em turnê para milhares de pessoas, em cinco capitais, em grandes estádios. Estou muito ansioso, porque vai ser um grande momento para ensinar, por meio da minha própria história, o quanto é importante se fortalecer contra o bullying.

PRESTE ATENÇÃO

1. Praticantes de bullying não podem me magoar ou me definir, porque eu mesmo me defini. Sei quem sou e para onde vou - é a principal dica de “autoajuda” de Vujicic.

2. Não dou a ninguém o poder de fazer com que me sinta mal. Assumo toda a responsabilidade pela minha felicidade.

3. Meus valores são inabaláveis. Tenho um plano para a minha vida orientado por eles.

4. Minha força vem de dentro de mim e nenhum bullying pode fazer com que eu me sinta inseguro.

5. Sei que minha família e meus amigos sempre me defenderão. Conheço minhas emoções, principalmente a raiva e o medo, e controlo minhas reações, de modo a permanecer otimista em pensamento e atitude.

6. Encontro algo de positivo para tirar de cada desafio Procuro ajudar os outros em todas as oportunidades, principalmente aqueles que estão sendo vítimas de qualquer forma de bullying.

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