Vale a pena fazer MBA no Brasil ou no exterior?

O currículo, a intensidade da dedicação e os recursos financeiros são critérios para optar entre um curso no País e outro no exterior

Victor Vieira e Guilherme Soares Dias,, Especial para o Estado

26 Novembro 2013 | 01h00

Se escolher o melhor MBA é difícil, optar entre um curso brasileiro e outro no exterior deixa a decisão ainda mais complicada. Antes de pegar o passaporte, vale refletir sobre a troca de endereço com base nas perspectivas profissionais e na conta bancária. Um curso no País envolve menos tempo e despesas e está mais conectado ao mercado local. Já um MBA fora, além de ser uma grife no currículo, é a chance de montar uma rede internacional de contatos e ter uma formação mais intensa.

Uma das principais diferenças entre os cursos do Brasil e os estrangeiros é a exigência de dedicação. Na maioria, os MBAs no País são classificados como “executivos” e já preveem que os alunos dividirão as horas entre aulas e trabalho. No exterior, principalmente nos Estados Unidos, são mais comuns os cursos de tempo integral, em que os candidatos costumam se mudar para perto do câmpus e ter aulas o dia inteiro. “É complexo, porque o custo de vida fora é bem alto e o aluno ficará um ou dois anos sem ganhar dinheiro”, avalia o coordenador dos programas de MBA Executivo e Finanças do Insper, Silvio Laban. Embora os MBAs nacionais tenham evoluído nos últimos anos, de acordo com Laban, muitos cursos ganham esse título, mas são pós-graduações fora da área de gestão.

Na opinião da consultora em carreiras Cláudia Gonçalves, a proposta pedagógica varia bastante entre os cursos brasileiros e os do exterior. “Lá fora, além de aulas de finanças e marketing, há um número expressivo de disciplinas eletivas”, explica. Segundo ela, a possibilidade de escolher matérias diferentes e participar de atividades extracurriculares, como clubes de estudos, enriquece a formação. “Ele desenvolve habilidades em liderança, comunicação e trabalho em equipe”, diz.

A articulação da rede de contatos pelo mundo é outra vantagem apontada pelos que fazem o curso no exterior. Para o empresário Jorge Maluf, que fez MBA na Universidade Stanford entre 2009 e 2011, o curso serviu para conhecer profissionais de vários países e ter palestras com personalidades da política e do mercado. “No nível da graduação, o Brasil tem excelentes escolas. Mas, para MBAs, o País está distante da qualidade dos Estados Unidos”, avalia. Para Maluf, que abriu seu próprio negócio quando voltou para casa, outro ponto forte dos MBAs americanos é que a participação dos alunos é valorizada. “Essa vivência é importante. Com o curso, antecipei meu sonho de empreender”, conta.

Solução caseira. A falta de dinheiro e as restrições familiares costumam ser empecilhos para cruzar a fronteira rumo ao curso desejado. Rita de Cássia não foi para o exterior porque precisava continuar trabalhando, mas diz que o MBA feito na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em 2007, atendeu às suas expectativas. “Contribuiu para amadurecer a visão prática e teórica.” Segundo ela, o curso serviu para alcançar o cargo gerencial que almejava na empresa.

MBAs do exterior costumam atrair profissionais brasileiros com pouco tempo de carreira – geralmente entre quatro e sete anos de atuação. “São candidatos que ainda não são gerentes e têm forte desejo de trabalhar nas áreas estratégicas das organizações”, explica a diretora da Associação Nacional de MBA, Karla Alcides. Já executivos mais velhos tendem a ficar no País. “Muitas empresas têm direcionado seus executivos para cursos de instituições estrangeiras com unidades no Brasil”, conta.

A crise financeira global também alterou o perfil de migrações dos executivos. Antes, muitos optavam por cursos nos Estados Unidos ou na Europa, com o objetivo de trabalhar por um período nessas regiões. “Hoje é mais difícil porque o mercado estrangeiro não está na melhor fase”, afirma Karla. Por outro lado, a emergência econômica do Brasil ajudou: os candidatos do País aparecem mais no radar dos responsáveis pela seleção nas escolas de MBA.

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