USP treinará professores para detectar violência contra crianças

A FFCL de Ribeirão Preto deve começar em março o curso para 400 professores e 100 agentes educacionais

Brás Henrique, de O Estado de S. Paulo,

16 de fevereiro de 2009 | 19h21

Para facilitar a identificação de casos de violência de familiares contra crianças e adolescentes nas escolas públicas (estaduais e municipais), um programa foi criado pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL), da Universidade de São Paulo (USP), de Ribeirão Preto, já aprovado pelo Ministério da Educação (MEC). Em março devem iniciar os cursos preparatórios de 400 professores e 100 agentes educacionais. A meta é criar ainda dez Núcleos de Prevenção de Violência contra Criança e Adolescente, em dez municípios da região. O nome do projeto é extenso, mas resume-se em prevenção e atendimento aos casos de bullying e violência contra crianças e adolescentes. O programa terá recursos de R$ 250 mil ao longo deste ano, oriundo do Escola que Protege (do MEC), tanto para bancar os cursos quanto aquisições de materiais paradidáticos aos professores e agentes educacionais, que passarão a ser "detetives" nas escolas. "O professor é um dos agentes privilegiados para reconhecer esse tipo de violência, pois tem contato diário com os alunos, observa seus comportamentos e tem condições de ver se as crianças têm alguma marca ou sinal de agressão", diz o psicólogo social Sergio Kodato, professor da FFCL e coordenador do Observatório de Violência e Práticas Exemplares, do Departamento de Psicologia da instituição. Ao detectar atos violentos contra os alunos, no entanto, os professores precisam encaminhar os casos aos conselhos tutelares. Mas sem preparo, muitos podem não detectar isso ou não saber como agir. No curso, cada professor terá que participar de 40 horas presenciais e mais 20 horas de ensino à distância. Para Kodato, no entanto, só isso não basta. Os núcleos serão criados em dez cidades (Ribeirão Preto, Araraquara, Bebedouro, Serrana, Cajuru, Taquaritinga, Pontal, Barrinha, Sertãozinho e Cravinhos), onde existem integrantes do Observatório, e formarão uma rede de proteção e atendimento às crianças e adolescentes. Para isso, parcerias serão firmadas com secretarias municipais de educação da região. "Os municípios têm que dar suas contrapartidas", informa Kodato. Com a rede de núcleos criada, o contato com os conselheiros tutelares será facilitado, segundo Kodato. "Será uma mudança de atitude e de estratégia nos municípios", emenda o psicólogo. A meta é que participem professores do ensino infantil até o médio. Neste ano, as escolas estaduais de São Paulo estão recebendo manuais antibullying (prática de agressão física ou psicológica contra as pessoas) e os professores serão treinados para lidar com esse tipo de situação. Kodato considera a medida importante, pois poderá evitar que surjam adultos violentos, ou mesmo que os professores sejam vítimas de alunos.

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