Marcio Fernandes / Estadão
Marcio Fernandes / Estadão

USP tem recuo na entrada de alunos da rede pública e deve reduzir nota de corte

Universidade planejava expandir entrada em cinco pontos percentuais, mas houve recuo de 0,5; Sisu deve aumentar

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

25 Maio 2016 | 17h57

SÃO PAULO - Mesmo com a adoção do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) na disputa de parte das vagas, a Universidade de São Paulo (USP) teve recuo de alunos vindos de escola pública. O índice caiu de 35,1%, em 2015, para 34,6%, neste ano - afastando ainda mais a instituição da meta de 50% até 2018. Foi a primeira vez que a universidade usou o Enem para selecionar alunos.

Com a redução, a USP estuda aumentar as vagas disponíveis via Sisu, o sistema digital do Ministério da Educação (MEC), que usa a nota do Enem para selecionar os estudantes. A universidade também quer alterar a quantidade de chamadas para quem for aprovado e reduzir notas de corte, consideradas muito altas. Em alguns cursos, elas chegaram a 700 pontos - enquanto a média dos aprovados chegou a 716.

O objetivo de adotar o Enem era atrair talentos de outras regiões do País e também incluir mais alunos da rede pública. Neste ano, a meta era de que 39% dos selecionados fossem de escola pública. Para 2017, a meta é superar 40%. O índice, que estava em 26,2% em 2011, subiu em todos os anos seguintes, chegando a 35,1% em 2015. Em 2016, no entanto, estudantes da rede pública preencheram 3.767 das 11.057 vagas na universidade (34,6%).

Um dos motivos para que a meta não tenha sido cumprida é que apenas 814, ou 55%, das 1.489 vagas destinadas ao Sisu foram preenchidas. As remanescentes acabaram encaminhadas à Fuvest, a seleção tradicional da USP. Dessas, 1.038 eram para escola pública, mas só 567 alunos foram aprovados. A seleção teve, ainda, 163 por ampla concorrência e 84 na modalidade PPI (preto, pardo e índio).

Para o pró-reitor de Graduação da USP, Antônio Carlos Hernandes, a “experiência do Sisu” possibilitou detectar problemas. O pró-reitor, porém, destacou que o índice de alunos vindos de outros Estados subiu para 15%, ante média de 11%, a contar do ano 2000. Um dos problemas teria sido fixar quatro chamadas para o Sisu. Com isso, alunos que se matricularam antes pelo programa, mas depois passaram na Fuvest, acabaram migrando e “fechando” vagas. Ao todo, 205 alunos passaram tanto no Sisu como na Fuvest. Por isso, a USP promete mudar o sistema, passando a fazer convocações até completar vagas. 

Corte. A média de corte também é vista como problema. “A nota mínima não serve para nada, só para espantar os meninos”, disse Hernandes. “Aluno com média 700 em todas as matérias só existem 122 no Brasil.”

De acordo com dados da USP, 15 cursos não tiveram nenhuma vaga preenchida via Sisu. A Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP (FZEA) e a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) também não receberam ninguém. Agora, a USP quer diminuir as exigências.

Outra medida é aumentar o número de vagas disponíveis para o Sisu, passando dos atuais 13,5% para 20%. Para a última edição, cada unidade de ensino indicou a quantidade de vagas ofertadas para o programa. A proposta ainda vai ser discutida pelo Conselho de Graduação (CoG) e pelo Conselho Universitário (CO), o órgão máximo da USP, em junho.

“Não dá para repetir o experimento”, disse o pró-reitor. “Se não resolver, aí é inevitável tomar medidas mais radicais para atingir os 50% de ingressos de escola pública até 2018.” Uma das possibilidades ventiladas seria a adoção de cotas.

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