Daniel Teixeira/Estadão
Eleição para reitor será realizada no dia 25 de novembro Daniel Teixeira/Estadão

USP tem eleição para reitor e mira desafios da diversidade

Pandemia impediu maior mobilização e só há dois candidatos, ambos da atual gestão; universidade vive tranquilidade financeira

Renata Cafardo, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2021 | 05h00
Atualizado 25 de novembro de 2021 | 09h25

Numa eleição para reitor atípica, em meio à pandemia e com só dois candidatos, a grande promessa é uma Universidade de São Paulo (USP) mais inclusiva e diversa. O físico Antonio Carlos Hernandes e o médico Carlos Gilberto Carlotti Junior disputam a gestão da mais conceituada instituição de ensino brasileira. Este ano, pela primeira vez em décadas, a maioria de seus novos alunos veio de escolas públicas. O desafio agora é garantir que eles tenham as mesmas oportunidades que o restante dos estudantes da USP.

A votação será ao longo desta quinta-feira, 25 de novembro, de forma totalmente online. Os resultados serão divulgados à noite. Uma votação prévia - aberta para toda a comunidade universitária e com caráter de consulta - mostrou Carlotti à frente entre os professores e os alunos. Já entre os servidores técnico-administrativos, Hernandes obteve mais votos. 

Como sempre, o reitor será escolhido por um colegiado com cerca de 2 mil pessoas do Conselho Universitário e de outros que representam as unidades. Pela regra, os mais votados formam uma lista, com até três nomes, para ser enviada ao governador João Doria (PSDB), que dá a palavra final. 

Professores ouvidos pelo Estadão acreditam que a pandemia impediu maior mobilização em torno de outros nomes. Os dois candidatos são da atual gestão do reitor Vahan Agopyan; Hernandes é o vice-reitor e Carlotti, o pró-reitor de pós-graduação. “O grande desafio para eles é se diferenciar sem chutar contra o próprio gol”, diz o presidente da comissão eleitoral e diretor da Faculdade de Direito, Floriano de Azevedo Marques. 

Com 60 mil alunos de graduação e 5,3 mil professores, a USP vive hoje tempos de relativa tranquilidade financeira pelo que foi economizado durante a pandemia. Quadro diferente dos últimos anos, em que a folha de pagamento passava de 100% do orçamento. 

Os candidatos falam em repor salários, contratar docentes e servidores. A universidade tem, segundo os números oficiais mais recentes, cerca de 300 docentes a menos do que em 2014, que foram aposentados, morreram ou foram exonerados. A presidente da Associação de Docentes (Adusp), Michele Schultz, ainda reclama da contratação de professores temporários, que dão aula por dois anos com salários baixos. “É um ataque à carreira docente e uma desvalorização porque inclui pessoas que a própria universidade formou”, afirma.

Carlotti e Hernandes propõem criar órgãos especiais para tratar de inclusão e diversidade. Prometem aumento do auxílio permanência, aulas de idiomas e moradia para cotistas. 

E os dois ainda têm em comum a preocupação com a comunicação e a imagem da USP, em um contexto de ataques à universidade pública e corte de verbas para a ciência pela gestão Jair Bolsonaro. “A pandemia nos deu essa oportunidade de sair dos muros. Não adianta ficar achando que somos bons e os outros têm de agradecer, sem saber o que a gente faz”, diz Marques. 

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