USP reduz valores de bolsas de monitores de salas de informática

Auxílio para estudantes do programa Pró-Aluno caiu de R$ 545 para R$ 400; reitoria nega que medida tenha relação com a crise

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

13 Dezembro 2014 | 03h00

SÃO PAULO - A Universidade de São Paulo (USP) decidiu reduzir os valores das bolsas para alunos que trabalham como monitores das salas de informática. O auxílio caiu de R$ 545, neste ano, para R$ 400(queda de 27%), já previstos no edital para 2015. A reitoria nega que a medida esteja ligada à crise financeira. A intenção é, segundo a USP, equiparar o valor da bolsa com outros auxílios pagos na universidade. 

Os bolsistas do Pró-Aluno, programa em funcionamento na USP há mais de 20 anos, foram avisados sobre a mudança na semana passada. Apesar do benefício menor, a jornada de trabalho permanecerá a mesma: 12 horas semanais. Os estagiários são responsáveis por controlar o uso e ajudar colegas nas salas de informática. 

De acordo com a USP, neste ano foram investidos R$ 2,518 milhões no programa, com o pagamento de 385 bolsistas. Para 2015, garante a Pró-Reitoria de Graduação, o montante total será igual ou maior. As outras bolsas concedidas pelo órgão são de R$ 400. 

Outra reclamação dos estagiários é de que contratos que iriam até o ano que vem foram interrompidos, sem aviso prévio. Segundo a USP, isso aconteceu para adequar os novos editais, que deverão ter data de início e término de atuação dos bolsistas dentro do mesmo ano. Parte dos universitários se queixou de funcionamento reduzido das salas, mas a Pró-Reitoria afirma não ter registro de mudanças nos horários. 

De surpresa. O estudante de História Rafael Domingos, de 22 anos, é um dos que iriam continuar no programa até o fim de agosto. "É uma quebra de contrato", critica o jovem, que está no segundo semestre do curso. O estudante usava o dinheiro para pagar seu transporte até o câmpus, a alimentação e a compra de materiais, como livros e cópias de textos. 

"Queremos que, no mínimo, eles recontratem todos aqueles que tinham contrato até o ano que vem. Melhor R$400 do que nada", afirma Domingos. Os estagiários dispensados poderão receber o auxílio com o novo valor, informa a Pró-Reitoria, mas precisarão concorrer outra vez no processo seletivo. 

O aluno ainda afirma que o corte é um efeito da crise na USP, que desde 2013 gasta quase todo o repasse do governo estadual com os salários de professores e funcionários. "Foi por causa da quebra, do problema dos repasses", opinou. Bolsistas e representantes dos centros acadêmicos têm feito reuniões para discutir o problema. Também circula na internet uma carta-protesto contra a medida da universidade. 

Mudanças. A Pró-Reitoria de Graduação defende que as dificuldades orçamentárias não influenciaram a decisão de baixar o valor da bolsa, "uma vez que o ensino de graduação é prioritário para a USP". Sustenta também que o número de bolsas distribuídas para cada faculdade ou unidade de pesquisa no ano que vem dependerá da demanda. 

O Conselho Universitário, órgão máximo da USP, aprovou nessa semana 104% de aumento no total de verbas para a política de assistência estudantil - o valor salta de R$ 33 milhões para R$ 67,6 milhões entre 2014 e o próximo ano. A previsão total de déficit para a universidade em 2015, no entanto, será de R$ 1,126 bilhão. A reitoria tem usado as reservas financeiras para pagar os salários de professores e funcionários. 

Mais conteúdo sobre:
Crise da USP USP

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.