USP propõe bônus para negros e abandona proposta de cotas de Alckmin

Documento da universidade, feito em reposta ao projeto lançado pelo governador, prevê aumento do bônus para escola pública e cursinho preparatório

05 Junho 2013 | 21h09

 A Universidade de São Paulo (USP) vai votar neste mês uma nova proposta de inclusão que prevê bônus de 5% a pretos, pardos e indígenas no vestibular da Fuvest. A USP sempre foi contrária a qualquer critério racial de bonificação. A criação de um cursinho preparatório para mil alunos de escola pública também faz parte da projeto. O documento não fala em cotas, mas em metas de inclusão.

A proposta é uma resposta da pró-reitoria de Graduação ao programa de inclusão lançado pelo governado Geraldo Alckmin (PSDB) ao lado dos reitores das três universidades estaduais (USP, Unicamp e Unesp). A proposta desenhada pela USP - a partir do posicionamento das 42 unidades da universidade - diverge praticamente em todos os pontos da ideia inicial do governo, batizada de Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Paulista (Pimesp) .

O que deve ser votado na universidade é a ampliação da bonificação, que poderia ser de até 20% - no caso do candidato do Programa de Avaliação Seriada da USP (Pasusp). Além disso, haveria a bonificação adicional de 5% para pretos, pardos e indígenas.

O prazo para as "metas" de inclusão também são diferentes. A USP diz que só haveria condições de alcançar os 50% de inclusão de alunos de escola pública em 2018, não em 2016 como previa o Pimesp. Não há menção para que as metas de inclusão sejam por curso, como também previa o Pimesp. Segundo interlocutores da USP, os cálculos é que a nova bonificação deve atingir os cursos mais concorridos. Não há, entretanto, previsão de ação para o caso de não atendimento às metas.

No lançamento do Pimesp, o governador Alckmin disse que o objetivo era garantir as metas de inclusão, independentemente de como isso seria feito. “No primeiro ano, o ingresso independe do college, é automático: 35% das vagas vão para esses alunos. Eles entrarão pelo vestibular tradicional, se não passar, terão pontuação acrescida. E de qualquer maneira está garantido esse porcentual mínimo”, disse Alckmin em dezembro do ano passado, em evento na sede do governo.

Já a criação de um College para parte dos integrantes, um dos principais pontos do Pimesp, foi abandonado. Segundo o documento, houve 31 manifestações contrárias à modalidade de ensino e nenhuma favorável. A USP tem 42 unidades. O College seria um curso sequencial, semipresencial, de dois anos, por onde parte dos ingressantes de escola pública passaria.

Novidade

A oferta de um cursinho pré-vestibular é outra aposta para tentar alcançar as metas. O curso seria ministrado no câmpus da universidades por alunos de graduação. As vagas seriam preenchidas por quem estudou na escola pública, tenham participado do Pasusp, mas que não tenham passado.

A Associação de docentes da USP (Adusp) divulgou análise da proposta em que faz algumas críticas ao que foi apresentado. "A oferta de bônus e o cursinho mencionados na minuta de proposta de “Plano Institucional da USP” muito provavelmente vão na mesma direção de transformar vítimas em culpados", diz o texto, assinado pelo Grupo de Trabalho de Educação da Adusp.

Entre 2012 e 2013, o porcentual de alunos de escola pública passou de 28% para 28,5%. Levando em conta apenas as dez carreiras mais concorridas, só 19% dos matriculados vieram da rede. 

O documento produzido pela pró-reitoria será votado no dia 20 de junho na Comissão de Graduação. Segundo a reportagem apurou, ainda não é certo se ele vai para análise no Conselho de Graduação. Há urgência para sua aprovação por conta do calendário da Fuvest, que aguarda as novas regras para que tudo passe a valer no próximo ano.

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