NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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USP prevê fechar o ano com déficit  de R$ 659,9 milhões

Balanço foi divulgado em reunião do Conselho Universitário nesta terça-feira, 5

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2016 | 14h27

SÃO PAULO - A Universidade de São Paulo (USP) atualizou a revisão orçamentária e prevê encerrar o ano de 2016 com um déficit de R$ 659,9 milhões, valor R$ 116 milhões maior do que o previsto no orçamento aprovado em dezembro do ano passado. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 5, pelo presidente da Comissão de Orçamento e Patrimônio (COP) e diretor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) Adalberto Américo Fischmann. 

De acordo com o diretor, a USP deverá receber R$ 360 milhões a menos nos repases do governo do Estado em relação à projeção inicial da universidade. Em crise, a universidade reduziu as despesas com custeio e investimento de 48,2% e, na folha de pagamento, economizou 12,7%, em relação a 2013.  A estimativa é menor do que a divulgada em julho deste ano, quando a instituição esperava encerrar 2016 com um déficit de R$ 868 milhões.

Em setembro, a universidade divulgou no Diário Oficial do Estado a lista dos servidores classificados a participar de mais um Programa de Incentivo à Demissão Voluntária (PIDV),  com 397 nomes. Para evitar problemas no atendimento dos hospitais atendidos pela instituição, médicos, enfermeiros, e profissionais de enfermagem não puderam participar do programa. 

O gasto com o plano será limitado a R$ 118,3 milhões - valor remanescente do primeiro programa, aprovado em 2014 que teve adesão de 1.433 servidores e no qual foram gastos R$ 281 milhões. Serão dispensados 160 servidores de funções de nível básico, 132 de nível técnico e 105 de nível superior. 

Crise. Para fechar as contas, a USP vem usando reservas bancárias desde junho de 2012 e viu o saldo de sua poupança despencar de R$ 3,61 bilhões para R$ 1,3 bilhão, no fim do ano passado. A previsão no plano orçamentário plurianual previa que os cofres praticamente zerariam até 2018.

O principal gasto da instituição é com a folha de pagamento. Em setembro, esses gastos consumiram 105,85% do orçamento da universidade, patamar semelhante aos outros meses do ano.  Pelo mesmo motivo, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) já havia reprovado por unanimidade a prestação de contas de 2013 da universidade.

A análise teve por base relatório que apontou irregularidades no alto comprometimento dos recursos da instituição com o pagamento de salários e benefícios aos servidores, remunerações acima do teto e a presença de docentes com acúmulo de cargo. O ex-reitor foi multado, mas cabe recurso. O limite legal de gasto com pessoal sugerido é de 75%.

"Diante de receitas que estão diminuindo mês a mês, conseguimos conter o comprometimento com folha de pagamento e conseguimos reduzir enormemente os gastos da universidade.  Claro que isto causa dificuldades, exige o trabalho, replanejamento. Mas isto não destrói a universidade. O que destrói a universidade é um comprometimento além daquilo que se pode pagar, porque deste não há salvação", disse na reunião do conselho o reitor Marco Antonio Zago. 

A USP também anunciou, em setembro, a contratação de uma consultoria privada para desenvolver um projeto para melhorar a gestão da instituição, incluindo o aprimoramento e a ampliação de sua relação “com a sociedade e o setor produtivo”. O projeto está sendo desenvolvido pela consultoria McKinsey e foi pago por doações de um grupo de ex-alunos, segundo a universidade.

O projeto só foi divulgado depois de A Associação dos Docentes  da instituição (Adusp) ter publicado uma nota afirmando ter recebido uma denúncia anônima sobre o projeto, com "possível" cobrança de mensalidade, o que foi negado pela USP. 

Título. Na mesma sessão, o Conselho Universitário aprovou a concessão do título de professor emérito ao presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e ex-reitor da USP, José Goldemberg. Ele é doutor em ciências físicas e professor emérito do Instituto de Física (IF) e do Instituto de Energia e Ambiente (IEE). Goldenberg esteve à frente da universidade entre 1986 e 1990.

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