USP prevê déficit de     R$ 983 milhões em 2015

USP prevê déficit de     R$ 983 milhões em 2015

Gasto com ativos e inativos pode ser de R$ 5 bi, mais do que Estado deve dar à universidade; 1,9 mil funcionários ganham acima do teto

Bárbara Ferreira Santos, Mônica Reolom e Victor Vieira, O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2014 | 00h11

A Universidade de São Paulo (USP) estima um déficit de R$ 983 milhões para o próximo ano. O cálculo foi feito pela Comissão de Orçamento e Patrimônio (COP) da instituição e integra a proposta de diretrizes orçamentárias para 2015. O levantamento será submetido à aprovação do Conselho Universitário (CO), órgão máximo da USP, nesta terça-feira.

Desse total, a COP espera que R$ 845,2 milhões sejam de déficit com a folha de pagamento, custeios e investimentos e R$ 137, 8 milhões de restos a pagar de anos anteriores e a credores. Essas são as despesas que excedem a expectativa de repasses do Estado, estimados no valor de R$ 4,8 bilhões para 2015. A proposta do COP indica que, mesmo com os recursos oriundos de outras fontes, a USP terá de usar de novo suas reservas.

Para 2015, espera-se que sejam retirados R$ 824 milhões da poupança da universidade - esse valor corresponde a quase metade de toda a reserva da USP. O valor não é equivalente ao déficit total previsto, porque a COP estima uma receita financeira de R$ 159 milhões obtidas para as reservas.

A previsão de déficit, contudo, é menor do que a registrada em 2014, que ultrapassa R$ 1 bilhão. A proposta de diretriz aponta um cenário de evolução no orçamento até o ano de 2018, mas em “posição de fragilidade financeira preocupante”, como alerta o documento.

A reitoria da USP informou que só se pronunciará sobre a proposta de diretrizes após a reunião do CO, uma vez que não é um levantamento definitivo do orçamento de 2015.

Só os gastos com pessoal (ativos e inativos) devem ultrapassar R$ 5,1 bilhões em 2015, valor correspondente a 105% da expectativa de repasse do Tesouro do Estado. Uma das medidas tomadas pela universidade para contornar a crise foi um plano de demissão voluntária (PDV) de servidores técnico administrativos.

A proposta já foi assinada pelo reitor da USP, Marco Antonio Zago, e deve ser implementada nos próximos dias. Com a medida, a reitoria prevê a aposentadoria antecipada de 1,7 mil funcionários com idade entre 55 e 67 anos.

Teto. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) obrigará a USP a cortar salários de 1.972 servidores que estão acima do teto do Estado - R$ 20,6 mil mensais, valor recebido pelo governador.

A universidade, em cumprimento a determinação judicial decorrente de processo impetrado pela empresa jornalística, divulgou os salários de todos os docentes e servidores técnico administrativos.

A remuneração mensal mais alta chega a R$ 60 mil, do professor aposentado Arrigo Leonardo Angelini, de 90 anos, do Instituto de Psicologia. O professor não foi localizado até as 23 horas de ontem.

O maior salário entre os servidores é o do procurador da reitoria da USP Boris Fausto, historiador e cientista político. Ele tem o terceiro salário mais elevado do ranking: R$ 45.974. Procurado ontem à noite, Fausto preferiu não se manifestar sobre o corte salarial.

Um dos docentes aposentados que figura na lista dos funcionários que recebem acima do teto é o ex-reitor da USP José Goldemberg, com salário de R$ 28,2 mil por mês. Segundo Goldemberg, o rendimento chega a esse valor porque gratificações “fixadas por leis e decretos” se acumularam durante os 60 anos em que ele é professor da instituição. “Eu fui diretor de unidade, reitor. Essa remuneração decorre das atividades de um professor que trabalha há 60 anos”, afirma.

Ele ressalta ainda que os salários foram estabelecidos por normas do Estado e da instituição. “É um salário considerado legal. Não sou eu que fixo e nunca pleiteei nada”, disse. “Qualquer executivo de nível alto que tenha ocupado funções semelhantes, como a de reitor e diretor de unidade, seguramente tem salários mais elevados.”

Reitoria. O reitor da USP, Marco Antonio Zago, explicou por telefone que a procuradoria da universidade não teve acesso ainda ao acórdão do STF.

Ele afirmou que somente depois que a instituição tiver “pleno conhecimento” da decisão é que medidas serão tomadas. “Com absoluta segurança, a USP sempre cumprirá o que a lei determinar”, disse Zago. O reitor não quis se pronunciar sobre os salários acima do teto do Estado.

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