USP poderia dar aumento salarial já, diz reitor

A isonomia salarial entre as três universidades estaduais de São Paulo (USP, Unicamp e Unesp) contribui para o impasse atual na greve de professores e funcionários, que já dura 35 dias. Grevistas pedem reajuste imediato e reitores têm proposto, conjuntamente, aumentos somente depois de setembro.Em melhor situação financeira, a Universidade de São Paulo (USP) teria condições de oferecer mais aos seus cerca de 20 mil professores e funcionários. "A USP poderia dar algo agora", diz o reitor Adolpho José Melfi. "Mas a isonomia já se tornou um ponto de honra entre as universidades."Maior e mais antigaMais antiga e maior, a USP tem comprometido 87% de seu orçamento de R$ 1,6 bilhão com salários de ativos e inativos. "Temos uma folga orçamentária porque nossas aposentadorias se estabilizaram", diz Melfi."A USP pode dar o reajuste de acordo com a inflação tranqüilamente (4%), mas se entrarmos numa gangorra de quem está podendo mais, a unidade entre as universidades pode ser quebrada, e isso enfraquece a nossa luta" afirma Américo Kerr, presidente da Associação dos Docentes da USP. Segundo ele, o movimento grevista não pretende, por um reajuste momentâneo, desmontar a isonomia mantida até agora.RegraEssa situação sempre foi regra entre as universidades, mesmo antes da autonomia administrativa, em 1989. Depois dela, as questões salariais passaram a ser discutidas conjuntamente. A Unicamp tem a pior situação entre as três, com atuais 94% vinculados ao pagamento de pessoal. O índice da Unesp é de 93%.Outro ponto em que as três instituições estão fechadas é a parcela do ICMS repassada a cada uma: dos 9,57% da arrecadação a que têm direito, 5,2% ficam com a USP, 2,3% com a Unesp e 2,1% com a Unicamp.Sem reajuste imediatoO Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) negou o pedido de reajuste imediato de 9,41%. Os sindicatos haviam baixado a reivindicação, que era de 16%.A alegação dos reitores é que, com uma previsão de arrecadação do ICMS - imposto do qual é extraído o orçamento das três instituições - de R$ 32,4 bilhões, seriam possíveis reajustes a partir de setembro, chegando a 4% de aumento."Com 9,41% de reajuste agora, chegaríamos a 103% de comprometimento do orçamento com a folha. Seria impossível continuar manter funcionando a universidade", diz o reitor da Unicamp, Carlos Henrique Brito Cruz.Na reitoriaO reitor da USP decidiu voltar a trabalhar em seu gabinete na reitoria, fechada pelos grevistas desde o dia 15. A guarda universitária e a polícia militar foram chamadas para ajudar a abrir caminho entre os piquetes, na terça-feira.Segundo Melfi, a decisão foi tomada porque o Sindicato dos Funcionários da USP (Sintusp) teria impedido uma reunião de trabalhadores da reitoria, que queriam discutir os rumos da greve."A guarda arrancou nossas cadeiras, nossas faixas e agrediu funcionários", diz o presidente do Sintusp, Magno de Carvalho. Uma das portas de vidro da reitoria foi quebrada. Um grupo de funcionários protestou o dia todo na frente do prédio, controlando a entrada. Só pró-reitores, diretores e jornalistas puderam entrar.Melfi ficou na reitoria até o fim da tarde e saiu sem ser notado. Ele nega que tenha havido violência.

Agencia Estado,

30 de junho de 2004 | 14h34

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