SERGIO CASTRO/ESTADÃO
SERGIO CASTRO/ESTADÃO

USP planeja captar R$ 1 bilhão em projetos com empresas

Objetivo é aumentar em 67% total de verbas recebidas em parcerias com o setor produtivo; plano de metas também prevê retomar obras

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

04 Março 2015 | 03h00

SÃO PAULO - A Universidade de São Paulo (USP) planeja captar R$ 1 bilhão com projetos feitos em parceria com empresas neste ano. O montante previsto é 67% maior do que os R$ 600 milhões arrecadados da mesma forma durante 2014. O valor faz parte do novo plano de metas da USP, concluído nesta semana.

A medida ajuda a diversificar as fontes de recursos da USP, que financia a maioria das suas ações com os repasses do Tesouro Estadual. "Essa é uma tendência, um esforço", disse o reitor, Marco Antonio Zago, ao Estado. Em instituições estrangeiras, é mais comum o uso de verbas das empresas. Parte da comunidade uspiana, por outro lado, acredita que isso comprometeria a isenção das atividades da universidade.

"O que você ganha com isso? Primeiro o recurso, que de alguma forma entra na universidade Segundo: uma maior interação com setor produtivo", completou Zago. "Isso não significa substituir o financiamento público pelo financiamento privado". O objetivo é ampliar a oferta de estágios, apoio a pesquisas pelas empresas e contribuição nos projetos didático-pedagógicos.

O plano de metas também prevê aumento em 30% do número de empresas incubadas no programa especial de startups apoiado pela instituição. Cursos introdutórios e avançados de inovação e empreendedorismo, segundo o plano, devem atingir 90% dos alunos.

Também aparece em destaque no plano de metas o esforço de internacionalizar a universidade. Além do incentivo às aulas ministradas em inglês na pós, a USP quer montar um programa próprio de ensino do idioma para três mil alunos da graduação. Para este ano, também são previstas 400 bolsas de mobilidade internacional.

Na pauta da graduação, ainda aparece a discussão sobre as novas formas de ingresso na universidade. É estudada a adoção do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para o processo seletivo de parte das vagas.

Obras. Em 2015, a USP também vai retomar parte das obras, interrompidas no ano passado pela crise financeira. A mais cara delas é a reforma do anfiteatro Camargo Guarnieri, no câmpus Butantã, estimada em R$ 15 milhões. A unidade fechou em fevereiro de 2012 para o projeto de reestruturação, que deve custar, ao todo, R$ 35 milhões.

A USP pretende iniciar ou retomar quase 100 projetos na capital e no interior. Foram priorizadas obras em que houvesse risco estrutural e a adequação de espaços para a graduação, dentre outros fatores. O gasto previsto com essas ações em 2015 é de R$ 62,5 milhões.

Sem verba. De acordo com Zago, as restrições financeiras não impedirão a execução das metas. "Grande parte das metas não implica em grandes dispêndios de dinheiro", justificou. "É principalmente uma reorganização das atividades da universidade. Aquilo que já existe, você faz com que fique sincronizado", disse.

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