USP mantém corte de gastos com custeio e investimento

USP mantém corte de gastos com custeio e investimento

Na opinião de parte dos professores e funcionários, a contenção levará à queda de qualidade da instituição

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

18 Novembro 2014 | 21h31

Atualizada às 23h39

SÃO PAULO - Em crise financeira, a Universidade de São Paulo (USP) decidiu nesta terça-feira, 18, manter o corte de gastos com custeio e investimentos para 2015. Do ano passado para 2014, essas despesas já haviam sido reduzidas em 29,32%. A previsão é que, no próximo ano, a instituição gaste R$ 600,04 milhões com essa finalidade, quase o mesmo valor do orçamento aprovado em fevereiro, se considerada a inflação.

O valor para o ano que vem consta nas diretrizes orçamentárias, aprovadas nesta terça pelo Conselho Universitário. As diretrizes norteiam o orçamento geral, que será votado em dezembro. Os gastos com custeios e investimentos são aqueles que não se referem à folha salarial, como manutenção de laboratórios ou viagens didáticas. 


A Comissão de Orçamento e Patrimônio propõe manter esse nível de gasto com custeio e investimento até 2018, corrigido pela inflação de cada ano. O cenário leva em consideração a adesão total ao plano de demissão voluntária, que prevê a aposentadoria antecipada de 1,7 mil funcionários e reajuste sem aumento real nos salários. Mesmo assim, como o Estado revelou na segunda-feira, é previsto déficit na USP até 2018, ano em que a universidade deve gastar R$ 115 milhões a mais do que recebe

Para parte dos professores e funcionários, a contenção de gastos de custeio levará à queda de qualidade da USP. O reitor, Marco Antonio Zago, garante que o patamar de gastos funcionou neste ano e não haverá problemas para os próximos. 

“O nível (de gastos com custeio e investimento) se mostrou perfeitamente compatível ao funcionamento das unidades”, diz Zago. O patamar de gasto por unidade hoje é o mesmo de 2010, com a correção inflacionária. “Estamos em um processo de reequilíbrio que vai demorar alguns anos.” 

Caso se confirme o cenário previsto, o nível de comprometimento das receitas com a folha salarial será de 90,33% em 2018. O índice ainda é considerado inseguro por especialistas em gestão no ensino superior, que recomendam patamar entre 80% e 85%. Hoje a USP gasta 106,3% dos repasses do Tesouro Estadual com a folha. Segundo Zago, a USP deve retomar a contratação dos professores só em 2016. 

Economia de 0,7%. O corte dos salários acima do teto levaria a uma economia de 0,7% na folha salarial da USP. A informação foi dada nesta terça-feira pelo reitor Marco Antonio Zago. Entre ativos e aposentados, 1.972 servidores recebem mais do que o limite previsto pela lei paulista. “Está longe de ser algo que resolve as dificuldades financeiras da universidade”, disse Zago. 

Imóveis. No Conselho Universitário desta terça, também foi aprovada a venda de quatro imóveis da USP, três na capital paulista e um no interior. Os mais importantes são o terreno na Rua da Consolação, no centro, e um conjunto de escritórios no Centro Empresarial Paulista, em Santo Amaro, que juntos valem cerca de R$ 50 milhões. 

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