USP ganha janela astronômica para os Andes

A partir de agora, de uma sala situada no segundo andar do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), é possível estudar o universo por meio do límpido céu do deserto do Atacama, no norte do Chile. Isso devido à inauguração da Estação de Observações Remotas, ocorrida na terça-feira, na capital. Os equipamentos instalados na USP estão em ligação direta com a sala de controle do telescópio Soar (Southern Astrophysical Research Telescope), equipamento inaugurado em abril de 2004. Todos os principais comandos necessários para a grande maioria dos experimentos científicos poderão ser acionados de forma remota. E, ainda, em tempo real. "Isso vai mudar a forma de fazer pesquisa nesse departamento", disse João Steiner, professor do IAG e diretor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo. "Estamos diante de uma revolução, porque será possível, entre outras coisas, que os estudantes de astronomia façam pesquisa a partir do telescópio. É muito difícil eles conseguirem se deslocar com freqüência para o Chile", explica o pesquisador. Segundo Beatriz Barbuy, vice-diretora do IAG, a construção da estação remota demorou dois anos para ser concluída. Agora, com tudo pronto, conforme explica a cientista, o ganho científico será grande. "O modo observacional remoto é mais eficiente, de custo mais baixo e permite envolver mais observadores do que tem ocorrido até o momento." Nos testes feitos durante a inauguração, pelos astrônomos Alexandre Bortoletto, em São Paulo, e Alexandre de Oliveira, no Chile, tudo funcionou de acordo com o previsto. Apesar disso, como se trata de uma experiência pioneira no Brasil, a cada dia novos aprimoramentos poderão ser feitos. "Isso não existia no Brasil e é algo pouco trivial inclusive no mundo", explica Steiner. "A vantagem do Soar é que ele foi pensado, desde o começo, para permitir essas observações remotas." O telescópio situado em solo chileno é fruto de um projeto multinacional. O Brasil, que investiu US$ 12 milhões por meio do CNPq e mais US$ 2 milhões pela Fapesp na construção do Soar, tem direito a usar o equipamento durante 33% do tempo, em um ano. "Temos 110 dias de observação. Dá para fazer bastante coisa durante esse período", admite Steiner. A enorme construção branca está localizada a 2,7 mil metros de altitude. O telescópio, que traz embutido um espelho principal de 4,2 metros de diâmetro, ou 1,6 mil vezes mais potente que o maior telescópio em solo brasileiro, está instalado no alto do Cerro Pachón, a 80 quilômetros da cidade litorânea de La Serena.

Agencia Estado,

09 de agosto de 2006 | 16h09

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