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USP faz campanha de proteção ao calouro

"Você não precisa estudar Medicina para cuidar do seu bixo. Nem Direito para defendê-lo". É assim que a Universidade de São Paulo (USP) pretende acabar com qualquer tipo de violência ou humilhação contra os mais de 8 mil calouros, que chegam na próxima semana à instituição. As frases fazem parte de uma campanha idealizada por alunos do curso de Publicidade da Escola de Comunicação e Artes (ECA), escolhida pela reitoria entre 15 propostas. Os slogans são diferentes para cada curso da USP e estarão em cartões postais distribuídos para todos os novos alunos. Eles são ilustrados com fotos de cães, numa brincadeira que faz referência ao "bixo", como os calouros costumam ser chamados. Outdoors e painéis também serão espalhados pela Cidade Universitária a partir de segunda-feira. "A campanha é um grande incentivo a uma recepção educativa. Por mais que tenhamos todos os cuidados, sempre podem acontecer episódios desagradáveis", diz a pró-reitora de graduação da USP, Sonia Penin. A universidade também vai reabrir este ano o disk-denúncia, que funcionou em 2002. Qualquer calouro que se sentir pressionado ou humilhado deve entrar em contato com o número 0800-121090. A reclamação será repassada para a ouvidoria da universidade. No ano passado, foram 222 ligações, sendo 18 denúncias. "Nossa idéia não foi só falar com o calouro e sim atingir o veterano", explica a estudante Sandra Tiaki Abe, de 22 anos, uma das autoras da campanha, intitulada Veterano Consciente Trata Bixo como Gente. A criação foi elaborada como trabalho em uma das disciplinas do curso de Publicidade. Segundo a pró-reitora, os cartões farão parte de um kit que todos os novos alunos da USP receberão já na ocasião da matrícula. Nele haverá ainda um manual com as informações acadêmicas, esportivas e culturais da instituição. Fora a campanha, os centros acadêmicos de cada curso na USP preparam ainda programações para receber seus calouros. "Nós cobramos de nós mesmos que não haja violência", diz o membro da comissão organizadora da Semana do Bixo da ECA, Mariano Mattos Martins. Na unidade, a primeira semana de aula terá de tudo, menos aula. Entre os dias 17 e 21 os cerca de 400 novos alunos estarão ocupados com música, brincadeiras, palestras e informações sobre a universidade. Na Medicina, cada estudante atual vai escolher um grupo de calouros para apadrinhar, ou seja, mostrar como funciona a faculdade e orientá-los em qualquer dúvida que possa aparecer no início do curso. "Aqui, ninguém mais pinta nem corta o cabelo de ninguém", diz o diretor do centro acadêmico, Renato Lima. A USP é uma das poucas universidades públicas que realiza um trabalho unificado para recepcionar os calouros, com campanhas e materiais iguais para todos os cursos. Essa posição ganhou força com a proibição do trote na instituição em 1999, depois da morte do calouro do curso de Medicina Edison Tsung-Chi durante uma festa organizada pelos alunos. A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) também condenam o trote em seus estatutos, mas as atividades de recepção são organizadas pelas próprias unidades, individualmente.

Agencia Estado,

06 de fevereiro de 2003 | 16h04

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