USP estuda plano de demissão voluntária para 3 mil

Custo está calculado em R$ 600 milhões, mas a medida reduziria em 10% o comprometimento do orçamento

O Estado de S. Paulo

15 Agosto 2014 | 21h10

SÃO PAULO - A Universidade de São Paulo (USP) estuda adotar um plano de demissão voluntária para desinflar a folha de pagamento e combater a crise financeira vivida pela instituição. A medida poderia reduzir em 10% o comprometimento do orçamento com pagamento.

Segundo o planejamento, os acordos passariam a ser firmados a partir de 2015, com objetivo de chegar a 3 mil funcionários. A existência do projeto foi publicada pelo jornal Folha de S.Paulo nesta semana.

O custo das demissões voluntárias está calculado em R$ 600 milhões e os gastos se compensariam em 20 meses, segundo documento interno da universidade. Ainda há planos de oferecer oportunidade de redução de jornada com diminuição salarial - a ideia é que a redução salarial fosse mais vantajosa para o servidor, e não seguisse a mesma proporção da diminuição da jornada. A reitoria informou que não comentaria o assunto porque ainda não há nada oficial sobre os projetos.

Os gastos crescentes com folha de pagamento obrigaram a USP a cortar, no início do ano, 30% dos gastos de custeio e congelar qualquer reajuste salarial em maio - conforme o Estado revelou. Atualmente, a folha de pagamento compromete 106% dos repasses estaduais da USP. Para manter as contas em dia, a instituição tem recorrido a reservas financeiras.

A decisão, tomada em conjunto com as outras duas universidades estaduais de São Paulo (Unesp e Unicamp), levou professores e funcionários a entrar em greve. A paralisação já passa de dois meses. Servidores insistem que a reitoria abra as contas. Exigem ainda que o governo estadual aumente os repasses fixos para as universidades.

A reitoria já anunciou outras medidas, como a redução de contratos terceirizados e congelamento de novas contratações. Um projeto de expansão de vagas, que seria usado como contrapartida para pedir mais verbas para o governo, também foi analisado com as unidades, mas por ora interrompido. 

O reitor Marco Antonio Zago afirmou que vai buscar mais repasses pela incorporação de um câmpus. Também se cogita a transferência do Hospital Universitário, na Cidade Universitária, e também do Hospital no câmpus de Bauru para a Secretaria de Saúde. O que aliviaria as contas da instituição. 

“Esse projeto que inclui plano de demissão voluntária, a redução de jornada, o desmembramento dos hospitais vai provocar o sucateamento da universidade”, disse Magno Carvalho, do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp).

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