Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

USP entra para o top 10 das melhores universidades entre países emergentes

Outras três universidades do Brasil que estão entre as 100 melhores na lista - Unesp, Unicamp e UFRJ - caíram em relação a 2013

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

03 Dezembro 2014 | 19h00

SÃO PAULO - A USP entrou para o top 10 entre as melhores universidades no ranking de países emergentes, de acordo com a lista divulgada nesta quarta-feira, 3, pela Times Higher Education (THE), que faz as principais medições de qualidade das universidades do mundo. Esta é a segunda vez que o recorte do ranking de países em desenvolvimento é publicado - o último foi divulgado em dezembro de 2013. 

As outras três universidades do Brasil que estão entre as 100 melhores na lista caíram em relação ao ano passado. A Universidade Estadual Paulista (Unesp) foi a que mais perdeu posições - foi de 87ª para 97ª. A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) oscilou do 24º lugar para 27º. Já a Universidade Federal do Rio de Janeiro caiu de 60º para 61º.


O índice é baseado em cinco indicadores: trabalhos em inovação, qualidade de ensino, impacto das citações, pesquisa e alcance internacional. Neste ano, houve alteração na metodologia do estudo, que até o ano passado era equivalente ao ranking global do THE e exigia, por exemplo, que as instituições publicassem pelo menos 200 artigos científicos por ano ao longo do período de cinco anos de publicações analisadas. O número foi reduzido para 100. Além disso, o peso dado para a influência da pesquisa foi reduzido para 20% - 10% a menos do que nos rankings mundiais. O quesito inovação foi aumentado de 2,5% para 10%, enquanto o peso do alcance internacional foi elevado de 7,5% para 10%.

Para o editor dos rankings da THE, Phil Baty, o quadro geral no Brasil é de estagnação, apesar de a Universidade de São Paulo ter subido uma posição e alcançado o top 10. "As universidades brasileiras tendem a serem relativamente fracas no alcance internacional, que é um ponto importante.  As colaborações, diálogo sobre as diferentes práticas entre os países e trabalho em equipes internacionais são ingredientes importantes para garantir universidades globalmente competitivas". 

Balanço. O índice mostrou 18 países na edição deste ano. Destes, 15 universidades apareceram pela primeira vez. Elas estão nos seguintes países: Chile, China, Índia, Malásia, Paquistão, Rússia e Turquia. O Brasil é o sétimo na lista entre os países que mais emplacaram universidades no top 100, com quatro instituições. Acima do Brasil, estão África do Sul, (5), Rússia (7), Turquia (8), Índia (11), Taiwan (19) e China (27).

De acordo com o estudo, a China consolida a qualidade de suas instituições de ensino superior dentre os países emergentes. Além de conquistar os dois primeiros lugares no ranking, com a Universidade de Pequim e a Universidade de Tshinghua, o país obteve 27 das 100 primeiras posições - quatro a mais do que no ano passado.

Na Turquia, três instituições estão entre as 10 melhores, segundo o ranking. A Rússia também teve melhora, com sete das 100 melhores, além de obter o quinto lugar com a Universidade Estatal de Moscovo. Já a África do Sul marca presença com cinco universidades, além de ter a Universidade de Cape Town em quarto lugar no ranking geral. Egito, Emirados Árabes Unidos, Indonésia, Peru e Filipinas não apareceram na lista. 

Universidades. A Unicamp comemorou a participação no ranking em nota, além de ressaltar que a queda de três posições (de 24ª para 27º) ocorreu em dois quesitos: volume de recursos captados junto a empresas para a pesquisa e número de títulos de doutorado outorgados. "A redução relativa na captação de recursos para pesquisa junto a empresas tem relação com o cenário econômico vigente no período referente aos dados utilizados pelo THE, no qual houve um menor investimento do setor empresarial nos programas em parceria com a universidade", disse a nota. Já em relação aos docentes, a Unicamp afirmou que "não houve redução significativa no número absoluto de doutores formados". "O indicador pode ter sido afetado pelo fato de A Unicamp ter se empenhado em repor as aposentadorias dos seus docentes", disse o texto. 

A Unesp reforçou a presença entre as únicas quatro universidades brasileiras no ranking e afirmou que a pró-reitoria vai analisar, nos próximos dias, "o resultado em sua totalidade, bem como o desempenho da universidade em relação aos critérios de avaliação". A nota da instituição apontou que a recente contratação de novos professores e um número ainda não tão alto de estudantes e docentes estrangeiros, assim como avaliação da captação de recursos via inovação e internacionalização, podem ter sido os responsáveis pela queda de 10 posições. Procuradas, USP e UFRJ não se posicionaram. 

Veja ranking divulgado pela Times Higher Education

10 primeiras - Geral:

1. Universidade de Pequim (China)

2. Universidade de Tsinghua (China)
3. Universidade Técnica do Oriente Médio (Turquia)
4. Universidade da Cidade do Cabo (África do Sul)
5. Universidade Estatal de Moscou (Rússia)
6. Universidade Nacional de Taiwan.
7. Universidade de Bogazici
8. Universidade Técnica de Istambul (Turquia)
9. Universidade de Fudan (China)
10. Universidade de São Paulo (Brasil)

Brasileiras:

10. Universidade de São Paulo (USP)
27. Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
61. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
97. Universidade Estadual Paulista (Unesp)

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