ANDRE LESSA/AE-28/4/2009
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USP discute transferir curso da Poli para a Baixada Santista

Engenharia de Petróleo deve sair da capital para ser oferecida em Santos; prefeitura também quer outros cursos

Carlos Lordelo, Estadão.edu

12 Maio 2011 | 11h54

A gestão Geraldo Alckmin (PSDB) quer levar cursos da Universidade de São Paulo (USP) para a Baixada Santista com o objetivo de atender à demanda por profissionais especializados em petróleo e gás. Pelas negociações, o bacharelado em Engenharia de Petróleo deve ser o primeiro a se mudar da capital para um futuro câmpus da USP em Santos. A prefeitura da cidade também reivindica cursos nas áreas de logística e oceanografia.

 

Em nota ao Estado, o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Paulo Alexandre Barbosa, admitiu discutir parcerias para viabilizar cursos de graduação na baixada. Ele disse que apresentou argumentos ao reitor da USP, João Grandino Rodas, para convencê-lo da ideia de instalar unidades no litoral.

 

“A baixada será a região do Estado que terá um dos maiores crescimentos econômicos do País nos próximos anos, com os investimentos já anunciados pela Petrobrás e empresas do setor portuário”, afirmou Barbosa, que tomou posse da pasta que cuida das universidades públicas estaduais na semana passada. “Só a estatal do petróleo deverá gerar mais de 30 mil empregos diretos e indiretos.”

 

A USP diz que a possível implantação de unidades na baixada ainda não passa de tratativas. Por meio de sua assessoria de imprensa, afirma que “problemas no passado” exigem que sejam dadas todas as garantias para sua instalação no litoral. “O nosso interesse em ter cursos na baixada é histórico.”

 

Nos anos 90, a universidade ofereceu cursos de Engenharia em Cubatão, cidade vizinha a Santos. Mas a prefeitura falhou na concessão das contrapartidas necessárias à permanência da Escola Politécnica, e a USP decidiu pôr fim à estrutura. Desde então, reitores têm recebido representantes de prefeituras da baixada que tentam resgatar o projeto de expansão.

 

Pré-sal. Com a economia baseada no turismo e na movimentação do maior porto da América Latina, Santos passa por um momento de virada desde a descoberta do petróleo no pré-sal. De olho na demanda por mão de obra qualificada, o prefeito João Paulo Tavares Papa (PMDB) tenta firmar parcerias com USP, Petrobrás e Autoridade Portuária para fazer frente ao desafio de formar pessoal nos setores de petróleo e gás, logística e oceanografia.

 

“A vinda da USP confere à baixada a excelência técnica necessária para se manter nesse mercado emergente”, disse ao Estado o prefeito de Santos. “Vamos oferecer condições para que a universidade se firme aqui, pois ela é ferramenta essencial para o nosso desenvolvimento.”

 

Segundo Papa, a prefeitura colocou à disposição da USP dois terrenos na região central de Santos. Um no bairro Vila Matias e outro no Valongo, onde está em curso um projeto de revitalização para ligar o centro ao porto.

 

Oportunidade. A possibilidade de aproximar a USP dos investimentos do pré-sal anima o diretor da Escola Politécnica, José Roberto Cardoso. “O que está acontecendo na Baixada Santista é algo nunca visto no País”, diz o professor. “É estratégico para a Poli atuar no pré-sal. Precisamos de injeção de recursos para pesquisa.”

 

Está em discussão na unidade a transferência do curso de Engenharia de Petróleo do câmpus do Butantã, na zona oeste de São Paulo, para Santos. A intenção é concluir os trâmites internos a tempo de oferecer a graduação no vestibular do próximo ano. Quem já começou o bacharelado na capital concluiria a formação na Poli.

 

Para o professor José Renato Lima, vice-chefe do Departamento de Minas e Petróleo da Poli, os alunos que ingressarem para o curso de Engenharia de Petróleo em Santos terão mais oportunidades de estágio. “Estamos otimistas em ter um curso mais próximo do polo empregador dos nossos estudantes.”

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