USP discute o papel das fundações

As fundações de direito privado voltaram a ser tema de discussão na Universidade de São Paulo (USP). Um grupo de 40 pessoas, incluindo professores, alunos e servidores não docentes, realizou uma primeira reunião nesta quinta-feira, cujo resultado será um relatório com regras para a atuação dessas entidades. Há cerca de um ano e meio, alunos invadiram a reitoria da USP e impediram uma votação sobre as fundações, alegando que o assunto não havia sido discutido. A polêmica da época persiste. Na reunião de quinta, que agora será semanal, estiveram defensores e críticos das fundações. Quem se posiciona a favor alega que elas trazem recursos externos para a USP e ainda dinamizam atividades barradas pela burocracia da instituição pública. Os que são contra acusam as fundações de exercerem trabalhos de interesse privado e de usarem o nome da USP para divulgar seus serviços. "Queremos estabelecer regras para as relações dessas entidades com a universidade", diz o pró-reitor de pesquisa da USP, Luiz Nunes, que preside o grupo. A discussão gira em torno de cerca de 30 fundações, que não fazem parte da USP e sim formadas por professores dela. Alguns exemplos são a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), fundada por professores da FEA, e a Fundação Vanzolini, com professores da Escola Politécnica. Entre suas atividades, estão também convênios firmados com a USP para pesquisas e outros serviços. Segundo Nunes, um dos temas que será discutido é a atual permissão para que docentes contratados em regime de dedicação integral à USP prestem outros serviços durante oito horas semanais. "O professor não deveria ser remunerado para trabalhar em projetos de interesse privado, como os que são feitos nas fundações, em vez de se dedicar às pesquisas científicas", defende o presidente da Associação dos Docentes das USP (Adusp), Ciro Teixeira. Outro assunto em pauta será os cursos de MBA e especialização oferecidos pelas fundações, muitas vezes com professores da USP, e pagos pelos alunos. "O trabalho das fundações agiliza procedimentos de aquisição de equipamentos para pesquisas, mobiliza estudantes para participar de vários projetos e ainda conhece melhor as demandas da sociedade, por meio dos cursos e serviços prestados", afirma o presidente do conselho curador da Fundação Vanzolini, Guilherme Ari Plonski. Os prós e os contras dessas entidades devem ser discutidos durante todo este semestre. O relatório final do grupo será ainda submetido à comunidade da USP e depois entregue ao órgão máximo da instituição, o Conselho Universitário, que enfim votará uma nova regulamentação.

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