USP discute modificar eleição para reitor

Durante reunião do Conselho Universitário Grandino Rodas acena com a possibilidade de alterar estruturas eletivas

Mariana Mandelli e Felipe Mortara , ESTADÃO.EDU

09 Novembro 2010 | 22h57

A Universidade de São Paulo (USP) está discutindo mudanças no seu sistema de eleição para reitor. As propostas foram apresentadas e debatidas na última reunião do Conselho Universitário (CO), que ocorreu na tarde de ontem. A reunião também trouxe propostas de modificação do programa de inclusão social da instituição.

 

Segundo professores, alunos e funcionários que participaram da reunião, entre as propostas, duas se destacam: a instalação de um processo de eleições diretas, com mudanças na estatuinte da USP, e a realização do pleito em um único turno, com um colégio eleitoral de cerca de 1,8 mil pessoas votando – o que incluiria membros das congregações da universidade.

 

“É importante isso ser resolvido logo, porque, se demorar mais um ano, pode coincidir com a eleição do novo reitor”, afirma o professor titular de Ética e Filosofia Política da USP, Renato Janine Ribeiro.

Atualmente, a eleição para reitor na USP ocorre da seguinte forma: no primeiro turno, cerca de 1.925 eleitores, entre alunos, funcionários e professores (a maioria), votam em três nomes, para chegar a oito. No segundo turno, apenas 330 eleitores, que são membros do CO e dos conselhos centrais, escolhem até três nomes da lista. Uma lista tríplice é encaminhada ao governador do Estado de São Paulo, que aponta o novo reitor.

 

No ano passado, só um em cada três professores votou. A representatividade foi ainda mais baixa entre alunos (1 em cada 483 estudantes) e funcionários (1 em cada 220). Nas eleições para reitoria da Unicamp e da Unesp, todos têm direito a voto.

 

Para o reitor da USP, João Grandino Rodas, o momento é de discussão. “Vamos primeiro debater o tema para deixar mais maturado. Se eu não acreditasse ou não vislumbrasse alguma mudança, não proporia essas reuniões”, afirmou ao Estado.

 

Cotas. Além da estrutura de poder dentro da universidade, também foram discutidas na reunião questões relativas à inclusão, como o Programa de Inclusão Social da USP (Inclusp). Atualmente, o candidato ao vestibular da Fuvest pode conseguir até 12% de bônus, sendo 3% para o oriundo do ensino público e pelo Programa de Avaliação Seriada (Pasusp).

 

A ideia da pró-reitora de graduação, Telma Zorn, é aumentar o Pasusp e acabar com o bônus universal. "Precisamos ampliar o Pasusp. Ele foi criado, mas ainda não está completo”, afirma Rodas. Para o reitor, a discussão deve se pautar a partir do que já existe na universidade. “O Inclusp é um programa que funciona muito bem dentro do que se propõe.”

 

 

Alunos e funcionários fazem ato contra expulsão

Cerca de 30 pessoas se reuniram diante do prédio da reitoria para protestar. Alunos e moradores do conjunto residencial (Crusp) estenderam cartazes contra o processo de expulsão que a USP conduz contra 16 alunos que teriam participado, em março, da ocupação de espaço da Coordenadoria de Assistência Social (Coseas). Com um carro de som, o Sintusp, sindicato dos trabalhadores da USP, pediu a consolidação de um plano de carreira para funcionários.

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