USP descontará dias parados de servidores em greve

O reitor da Universidade de São Paulo (USP), Adolpho José Melfi, determinou nesta quinta-feira que as faculdades e institutos enviem listas à reitoria com informações sobre faltas de professores e funcionários. A greve na instituição já dura 51 dias. A intenção é a de descontar o salário pelos dias parados dos servidores."Temos a obrigação de controlar", diz Melfi. Ele fez o pedido durante reunião com diretores de unidades. O reitor explicou que as faculdades e os institutos enviam relatórios normalmente à reitoria apenas quando há problemas. "Se nada chega é porque está tudo em ordem e o pagamento sai." Por falta de informações detalhadas em virtude da paralisação, os salários de junho foram pagos sem registros como faltas, licenças e férias. Os funcionários da Administração Central, que inclui reitoria, prefeitura do câmpus e coordenadorias, também terão ausências e presenças controladas. O funcionamento desses departamentos, na sua maioria, está prejudicado por piquetes dos grevistas, que impedem a entrada dos servidores.A greve, segundo a reitoria, atinge 30% de professores e funcionários. Para o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), o índice é de 80% entre os servidores não docentes. "É uma caça às bruxas, mas acreditamos que os diretores não vão cumprir", disse o presidente do Sintusp, Magno de Carvalho. "É uma tentativa de coagir o movimento e um desrespeito à nossa luta que já conseguiu tanto para a universidade", completou o presidente da Associação dos Docentes da USP (Adusp), Américo Kerr."Em toda greve há esse risco", afirmou o diretor do Instituto de Física da USP de São Carlos, Roberto Mendonça Faria, sobre o fato de os dias parados serem descontados. Segundo ele, a unidade já havia decidido internamente, antes mesmo do pedido do reitor, de que faria listas dos professores e funcionários que estão ou não trabalhando.Reintegração de posseAs negociações sobre a reivindicação de 9% de reajuste estão paradas. A greve atinge também a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp). Segundo Melfi, o conselho de reitores só voltará a discutir com os grevistas quando os piquetes foram retirados. "Eles não têm que acabar com os piquetes e sim com a greve, sentando para negociar", diz Carvalho, do Sintusp. A USP conseguiu quarta-feira uma liminar na Justiça garantindo a reintegração de posse, com apoio policial, dos locais onde há piquetes na Cidade Universitária. A solicitação para ação já foi feita ao 16.º Batalhão da Polícia Militar, mas a universidade pretende dar prazo até segunda-feira para que os grevistas acabem com as interdições aos prédios. Antes disso, uma outra liminar já pedia multa de R$ 10 mil por dia em cada local ocupado. Segundo Carvalho, o Sintusp não recebeu ainda notificação da Justiça sobre a reintegração de posse. "Vamos resistir, não vamos arredar pé", declarou.

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