USP decide futuro dos cursos pagos em 2003

Ficou para meados do ano que vem a decisão sobre a continuidade ou não da existência dos cursos de especialização pagos na Universidade de São Paulo (USP). Até lá, está proibida a criação de cursos não-gratuitos - que hoje são 49 - na instituição. Entre eles, estão os MBAs e outros classificados como pós-graduação latu sensu, que chegam a custar R$ 30 mil. Nesta quarta-feira, pela primeira vez, professores e alunos da USP participaram de um workshop sobre o tema.Segundo a pró-reitora de pós-graduação da USP, Suely Vilela, será elaborado em janeiro um documento síntese do debate, que vai ser repassado para todas as unidades. Só depois, órgãos superiores da instituição, como o Conselho de Pós-Graduação ou mesmo o Conselho Universitário, decidirão o destino dos cursos pagos."A pós-graduação latu sensu tem de continuar existindo, mas é preciso saber se ela será oferecida somente quando tiver recursos orçamentários ou não", disse Suely.Atualmente, a Faculdade de Administração, Economia e Contabilidade (FEA) é a unidade da USP que oferece o maior número desses cursos. Segundo relatório apresentado nesta quarta, são 19 cursos e 1.143 alunos. Muitos são oferecidos por intermédio das suas fundações de apoio, formadas por professores, como FIA e Fipe.Como era de se esperar, a FEA acabou sendo o principal alvo de críticas durante o workshop. Muito do debate também foi marcado por discussões ideológicas. De um lado, os que encaram os cursos pagos como uma forma de ferir os princípios da universidade pública, gratuita e não atrelada ao mercado. E de outro, os que acreditam que a complementação extra-orçamentária, vinda de empresas ou até outros órgãos públicos que financiam os cursos, é essencial para manter a qualidade do ensino e da pesquisa.O representante da FEA, Décio Zylbersztajn, destacou que cerca de 25% dos professores da unidade estão prestes a se aposentar e continuam lá pelo conjunto das suas atividades, que inclui os cursos de especilização. "A FEA sente o impacto da demanda pela pós-graduação na sociedade. São executivos maduros e jovens que precisam da educação continuada para sua carreira.""Esses cursos tomam tempo dos professores e acabam prejudicando o ensino na graduação e na pós stricto sensu", disse o representante da Associação dos Pós-Graduandos da USP, Gilberto Franca. "A complementação que os professores recebem nessas atividades chega a cinco vezes o salário", criticou presidente da Associação dos Docentes da USP, Ciro Correia.A USP tem hoje 3.097 alunos na pós-graduação latu sensu, que oferece ainda 16 cursos gratuitos. A especialização, diferentemente dos mestrados e doutorados, não oferece títulos e é voltada para a formação profissional.

Agencia Estado,

27 de novembro de 2002 | 22h18

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