GABRIELA BILO / ESTADAO
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USP corta o salário dos servidores em greve

Desconto atinge apenas algumas categorias e não afeta professores; sindicato vê atitude ilegal e recorre à Justiça

Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2016 | 03h00

SÃO PAULO - Com os funcionários em greve há dois meses, a Universidade de São Paulo (USP) descontou dos salários dos servidores os dias parados. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), o corte de ponto atingiu centenas de servidores, em especial os que recebem salários menores, de até R$ 3 mil. A universidade não informou quantas pessoas tiveram os salários descontados. 

A Associação dos Docentes da USP (Adusp) disse que os professores, que também estavam em greve até sexta-feira, não tiveram cortes. A USP não informou por que o corte atingiu apenas uma das categorias. “Essa é uma atitude perversa e ilegal da reitoria, que não negocia com a categoria e apenas intimida”, disse Magno de Carvalho, diretor do Sintusp. O sindicato ingressou com uma ação na Justiça para tentar a devolução dos salários.

O auxiliar de serviços gerais Isaque Machado, de 44 anos, disse ter recebido apenas R$ 83 em junho - seu salário é de cerca de R$ 3 mil - por ter participado da greve. “Tenho filho, família, contas para pagar. A gente luta porque quer manter nosso emprego com dignidade, estão acabando com a universidade na qual trabalho há 15 anos.”

Os servidores estão em greve desde 12 de maio por reajuste salarial - a USP ofereceu 3% de reajuste, enquanto a categoria pede 12,34% - e contra o que chamam de “desmonte”, por causa dos cortes de investimento.

Segundo o Sintusp, o corte nos salários é ilegal porque a greve não foi julgada ou considerada irregular pela Justiça. Questionada, a USP não informou se recorreu à Justiça para questionar a legalidade da greve. A universidade respondeu com uma nota, de 1.º de junho, em que afirma que a Constituição assegura o direito de greve, mas que “mesmo direitos fundamentais comportam limitações, restrições e condicionantes”. Informou ainda não ter a “opção de pagar” os grevistas. “A remuneração é uma contraprestação ao trabalho.” 

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