NILTON FUKUDA/ESTADÃO
NILTON FUKUDA/ESTADÃO

USP contrata consultoria privada para discutir novo modelo de gestão

Informação foi divulgada pela universidade após denúncia anônima enviada à Associação de Docentes da instituição, que afirma que haveria possibilidade de cobrança de mensalidades; universidade nega

Luiz Fernando Toled, O Estado de S. Paulo

21 Setembro 2016 | 15h16

SÃO PAULO - A Universidade de São Paulo (USP) contratou uma consultoria privada para desenvolver um projeto que visa a melhorar a gestão da instituição, incluindo o aprimoramento e a ampliação de sua relação “com a sociedade e o setor produtivo”.

O projeto, batizado de USP do Futuro, está sendo desenvolvido pela consultoria McKinsey e foi pago por doações de um grupo de ex-alunos da universidade. O valor do contrato e o nome dos doadores não foram divulgados, mas o Estado apurou que a maioria é de egressos da Escola Politécnica (Poli-USP). Segundo a universidade, a iniciativa está em fase inicial de diagnóstico, com entrevistas com gestores, dirigentes, ex-alunos e outros representantes do centro de ensino. 

O projeto está a cargo do professor titular do Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, Américo Ceiki Sakamoto. Procurado, ele não quis dar entrevista.

Essa proposta também já foi apresentada ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) no início deste mês, em reunião que também teve a participação de representantes de diversos grupos empresariais, como Natura, Cosan, Itaú e Ultrapar Participações S/A.

Convênio. No portal da transparência da instituição, o acordo consta como um termo de cooperação entre a consultoria e a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) Comunitas para “criação de um modelo de captação de recursos e de gestão administrativa e financeira”. O Estado solicitou à USP acesso à íntegra do documento, mas a instituição não o enviou até as 20 horas desta quarta-feira. Também não foram encontradas menções ao convênio nas edições do Diário Oficial do Estado

Mensalidade. O projeto foi divulgado pela USP depois de a Associação dos Docentes da instituição (Adusp) ter publicado nota nesta quarta afirmando que recebeu uma denúncia anônima de que a reitoria da instituição estaria em tratativas para criar um novo modelo de captação de recursos, com “possível” cobrança de mensalidade. “O objeto do referido termo consiste em criar um modelo de captação de recursos e de gestão de orçamento para a universidade, o que indica uma possível mudança de legislação, bem como uma possível cobrança de mensalidades em cursos oferecidos pela USP”, diz o texto divulgado pela associação.

Segundo o professor Ciro Correia, integrante da Adusp, a entidade já solicitou esclarecimentos à universidade. “É uma desfaçatez a forma como a USP está lidando com essa questão. O acordo não está no site da transparência, não tem contrato. Isso é questionável sob o ponto de vista da administração pública.” 

A universidade nega qualquer tipo de cobrança e diz que “não tem qualquer fundamento o boato de que o projeto inclua a cobrança de mensalidades nos cursos. A referência é descabida, já que esta é uma matéria regida pela Constituição Federal e sobre a qual as instituições públicas de ensino não têm qualquer ingerência”. 

Afirma ainda que o portal da transparência “não permite anexar documentos, apenas fazer o registro do convênio e incluir um breve resumo” e ressaltou que está se adaptando às alterações recentes do Diário Oficial e “há dezenas de outros convênios” ainda aguardando publicação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.