JF DIÓRIO/AE
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USP começa a testar estações de bike

Implantação de projeto terá início na próxima semana com quatro bicicletas e duas estações de empréstimo, mas intenção é ter 100 delas em 10 paradas até novembro deste ano

Elvis Pereira, Jornal da Tarde

26 Abril 2011 | 10h32

Na próxima segunda-feira, trocar o carro ou o ônibus por bicicletas começa a se tornar uma opção para estudantes, professores e demais funcionários da Universidade de São Paulo (USP). Entrará em fase de teste o Pedalusp, sistema que prevê o empréstimo gratuito de bikes para viagens dentro do câmpus, na zona oeste da capital.

Inicialmente, a frota se resumirá a quatro bicicletas. Elas poderão ser retiradas na estação existente em frente ao prédio de Engenharia Mecatrônica da Politécnica ou na instalada a cerca de um quilômetro dali, no prédio do Biênio. O percurso pode ser cumprido em 20 minutos, tempo limite de empréstimo. 

  “Os testes serão feitos para verificarmos detalhes e fazer a interação com a comunidade”, explicou o engenheiro Maurício Serrano Villar, um dos idealizadores do projeto. Essa fase deve se estender até novembro. “As pessoas vão poder dizer se precisam de mais tempo (para usar as bikes), por exemplo.”

Concluído esse período, pretende-se expandir o número de bicicletas para 100 e o de estações para 10, espalhadas pela Cidade Universitária. “A gente quer dar uma alternativa: em vez de ficar andando de carro dentro da escola, porque não parar o carro num prédio e usar a bicicleta?”, sugere Villar.

Villar é o pai do projeto ao lado do amigo Maurício Matsumoto. Em 2005, os estudantes de Engenharia Mecatrônica desembarcaram na França, por conta de convênios da USP com escolas daquele país. Ao longo de dois anos e meio, conheceram o sistema de empréstimo de bicicletas de Marselha e Lyon e decidiram adaptá-lo para o Brasil. “Usávamos como meio de transporte lá.”

A dupla apresentou o sistema no projeto de conclusão do curso em 2009. A coordenadoria do câmpus gostou tanto da ideia que desembolsou R$ 50 mil para que as bikes se tornassem realidade na Cidade Universitária. “Acreditamos que o projeto possa alavancar novos sistemas para a mobilidade dentro do câmpus, reduzindo o uso de veículos para curtas distâncias, colaborando para a mudança de hábitos e comportamentos”, informou a coordenadoria do câmpus, em nota.

Não há pesquisas sobre o número de usuários de bicicletas no câmpus. Sabe-se apenas que mais da metade dos passageiros da rede de ônibus circular da USP depende do transporte público para chegar à universidade e outros 30% vão a pé.

As estações de bicicleta têm atraído a atenção dos estudantes. “Quem mora nos arredores, como eu, poderá passar pelo portão e usar a bike”, disse o estudante João Carlos Rocha de Borba, de 21 anos. O amigo dele, Rodrigo Inocente, da mesma idade, questionou se os veículos não serão alvo de ladrões. “Não pelos alunos, mas por pessoas de fora.”

Segundo Villar, a dúvida existe desde o início da proposta. “As pessoas dizem que vai ter muito roubo, mas na USP o projeto pode dar certo, por ser um ambiente fechado, com mais jovens.”

Para proteger o sistema, as bicicletas ficarão travadas nas estações. A liberação será feita a estudantes, professores e funcionários cadastrados num site, ainda não divulgado. Se não devolverem a bike no prazo previsto, receberão suspensões que impedirão o uso do sistema por períodos de 1 a 20 dias ou definitivamente.

Quem optar por não devolver a bicicleta poderá ser denunciado à polícia. “É um bem público. A pessoa vai roubar um bem da universidade”, observou Villar.

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